Foto: Jéssica Moás de Sá

Há quase dois anos que um grupo de jovens do concelho está «num caminho de fé». Susete Cordeiro foi a grande mentora deste projeto: os Serafins. A história do grupo começou quando a também catequista foi atribuída a «este núcleo de jovens» no 8.º ano, grupo com o qual continuou até ao 10.º, ano em que é feito o crisma. No momento em que estes jovens foram crismados, Susete questionou-se: «O que há depois do crisma?». Esta pergunta ecoava na cabeça da catequista, até por acreditar que na maior parte dos casos a resposta é que os «jovens desaparecem da comunidade cristã». Foi precisamente para o evitar e por notar que «havia alguns» interessados em continuar integrados na Igreja, que Susete Cordeiro, em conjunto com uma colega com quem dava catequese, fundou os Serafins. O nome do grupo tem uma explicação fácil: foi o Bispo Serafim quem celebrou o crisma destes jovens, que o quiseram «homenagear» desta forma.

A catequista lançou o desafio e no início «nove responderam ao chamamento». Em mente estava «levar os jovens por novos caminhos, a conhecer novas pessoas cristãs e a envolverem-se noutras atividades» religiosas, contrariando um pouco o espírito da catequese, sempre «dentro de uma sala, fechados». O grupo, ao qual se foram juntado membros novos, reúne-se habitualmente a cada 15 dias, num momento onde são discutidos temas variados, «levantados pelos jovens» ou «relacionados com a bíblia». Saber «escutar os jovens» é também uma das metas, salienta Susete, explicando que só assim é possível «percebê-los e conhecê-los», algo para o qual a «Igreja não está alerta». Além dos encontros quinzenais o grupo está presente em várias atividades religiosas, nomeadamente numa oração jovem mensal, o Shemá, que é feita num ambiente «descontraído, no chão, à luz das velas».

Neste processo de auto-conhecimento que Susete tem feito com os Serafins, uma das conclusões que retirou foi que, apesar de existirem alguns jovens desinteressados pela vida cristã, há também «quem não os saiba acolher» por não conseguirem mostrar «o lado bonito e alegre» da religião. Na Igreja falta também, na opinião da impulsionadora do grupo, «a coerência de vida» porque é «difícil seguir o exemplo de alguém que diz uma coisa e faz outra».

A religião pelo olhar dos jovens

Raquel Carreira , 17 anos

«Eu entrei para os Serafins porque sinto que, mesmo depois dos 10 anos de catequese, ficam sempre algumas dúvidas sobre a nossa fé e também sobre temas relacionados com a Igreja. Quando eu digo que estou num grupo de jovens perguntam-me: “Porquê? Para quê?”. Não é só ir a igreja, rezar e ouvir a missa, é muito mais do que isso. Para além de me ajudar no meu caminho com a fé e no meu caminho como cristã também me ajudou a não ter medo de mostrar que o sou. Deu-me força para levar outras pessoas a não terem medo porque há quem tenha vergonha, eu se calhar tinha um bocadinho.»

Luís Adão, 16 anos

«A minha mãe dava catequese com a Susete aos atuais membros dos Serafins e quando eles iam a eventos da catequese, a minha mãe levava-me. Isso permitiu-me criar uma amizade com o grupo e depois de fazer o crisma eles integraram-me. O tempo que passamos juntos é muito bem aproveitado, mas acho que a maior parte dos jovens não estão despertos para a religião. Confesso que também não venho muito à missa porque não é algo que cative os jovens pela forma como é celebrada. Depende sempre do padre que celebra a Eucaristia. Mas tenho fé, faço a minha vida, ações com base no que Jesus disse.»

Juliana Bernardo, 17 anos

«Acho que à medida do tempo, Deus vai estando cada vez mais presente e acho que esse é um esforço meu: que ele esteja cada vez mais presente na minha vida. E é isso que no grupo de jovens também vamos aprendendo, abrir a porta para que ele consiga entrar mais vezes na nossa vida. Ao estarmos todos reunidos e ao termos temas para cada sessão podemos partilhar algo mais que não tivemos oportunidade de partilhar antes, as nossas vivências, e com isso podemos ajudar-nos uns aos outros. Acho que a mim o grupo trouxe-me mais sentido de responsabilidade, permitiu-me conhecer novas pessoas e criar uma família no grupo.»

Emília Vieira, 20 anos

«Eu iniciei esta nova etapa para encontrar a minha fé e para não acabar logo ali [no crisma] porque fica um vazio. São 10 anos que estamos juntos como um grupo na catequese. Acho que ainda não acredito em Deus, ainda falta muito trabalho para lá chegar. Talvez em alguns momentos ele esteja lá, não vou mentir. Mas acho que não está lá totalmente, talvez porque ainda não esteja aberta nessa sentido. O grupo trouxe-me uma amizade, uma família, acho que é a palavra certa. Trouxe atividades novas, trouxe um olhar para os jovens um bocadinho diferente do que aquele que a sociedade tem e trouxe também uma ajuda no meu caminho de fé.»