Foto: Jéssica Moás de Sá

Primeiro teve implementada a Real Fábrica do Juncal, mais tarde, tornou-se na Casa Agrícola e agora, a Casa dos Calados, que «há 70 anos dava trabalho a muita gente» vai sofrer uma requalificação que, segundo o arquiteto Rafael Calado, vai trazer uma nova «atração e centralidade no Juncal». O projeto, já bastante adiantado, foi apresentado na última reunião de Câmara descentralizada realizada no Juncal, precisamente por Rafael Calado, descendente da família Calado, antiga proprietária deste edifício.

A proposta para esta casa, adquirida pelo Município, tem como objetivo «servir a comunidade» e, por isso, o projeto prevê a oferta de alguns serviços, como uma biblioteca, um restaurante, uma loja de produtos regionais, um museu, zona de ateliês e um salão nobre, explicou Rafael Calado. Esta será também um infraestrutura inovadora, criando espaços de co-working, «uma das tendências do trabalho» que em «termos de criatividade e produção» pode, na opinião do arquiteto, trazer resultados positivos. Aliado a isto, a Casa dos Calados terá também residências e uma cozinha comunitária para acolher, não só pessoas da região, como de «programas internacionais de residências» comuns nestes espaços. O intuito é que quem visite este espaço possa «desenvolver todo o tipo de projetos e ideias interessantes» afastados «do movimento», desenvolve Rafael Calado. Uma das garantias dadas pelo arquiteto é que se vão manter os pormenores originais e objetos como «a caldeira a vapor, os carrinhos e o antigo forno». A adega, que já existe no espaço, será mantida, podendo ser «incluída em rotas turísticas», eventualmente «com provas de vinhos».

O presidente da Câmara, Jorge Vala, referiu que este «executivo dá muito valor ao património» e por isso acredita que esta requalificação representa o regresso «da memória para o presente e para o futuro». O autarca reforça que ficam criadas «condições para os juncalenses e toda a comunidade» poderem usufruir de espaços que «na região são inovadores». Jorge Vala mostrou-se ainda «empenhado em que a obra avance o mais depressa possível», até porque a Casa dos Calados tem vindo a «degradar-se» de forma muito rápida. Para esta empreitada o Município vai disponibilizar 150 mil euros.

Juncalenses orgulhosos

No espaço destinado às intervenções do público, foram vários os juncalenses que se manifestaram «orgulhosos» com o avançar do projeto da Casa dos Calados. Muitos destacaram que este «era um sonho com alguns anos» entre a comunidade e que o protótipo apresentado não fugia às expectativas criadas durante este tempo de espera. Outra das ideias destacadas foi que esta obra não é apenas «uma mais-valia para o Juncal» mas sim «para todo o concelho», criando uma oferta diversificada. No entanto, houve quem destacasse que este podia ser um projeto, pelo seu carácter diferenciador, mais adequado para cidades «como Lisboa» e que o seu «êxito no Juncal» pode não ser garantido. Jorge Vala, pelo contrário, destacou é necessário «ter ambição» porque só assim «as terras e as vilas podem evoluir e melhorar». O presidente reforça ainda que o foco «não pode ser o passado» e que se deve abandonar o estigma que este tipo de inovações são apenas para as grandes vilas e cidades.

Foi ainda evidenciada pelos participantes da reunião, a ideia de que a construção do museu nesta infraestrutura pode ser uma oportunidade para quem tem peças em casa de que pretenda desfazer-se, possa assim oferecer ao museu, concentrando o espólio juncalense num só local. A nível estético, o facto de se «respeitar a traça do Juncal» dando um ar renovado «do século XXI» foi também destacado pelos populares como algo positivo.