Bombeiros recolheram pessoas com moblidade reduzida, no lar e em casa (foto Jéssica Moás de Sá)

Realizou-se, no passado dia 4 de maio, um simulacro ao abrigo do programa “Aldeia Segura, Pessoas Seguras” nas aldeias de Bouceiros, Demó e Valongo, na freguesia de Alqueidão da Serra. Este foi o terceiro simulacro a ocorrer no concelho de Porto de Mós, já que antes tinha sido realizado na Barrenta, freguesia de Alvados e Alcaria e no Covão da Carvalha, freguesia de Mira de Aire. Esta iniciativa resulta da colaboração de várias entidades, como a Autoridade Nacional da Proteção Civil representada pelo Comando Distrital de Leiria, a GNR e os GIPS, a Proteção Civil Municipal, os Bombeiros Voluntários do concelho, os Sapadores florestais e a Segurança Social.

No final do exercício, o Portomosense falou com alguns dos responsáveis por esta iniciativa, entre eles, Nuno Moleiro, o coordenador da Proteção Civil Municipal, encarregue da preparação deste simulacro. O coordenador explicou que o primeiro passo foi o «contacto com o presidente de Junta para indicar uma pessoa de aldeia que queria assumir a função de oficial de segurança local». Este ofical de segurança, por ser habitante da terra e por conhecer melhor os outros moradores, tem a função de «apoiar e coordenar as equipas que prestam socorro na evacuação da aldeia», acrescenta Nuno Moleiro. Depois, é feito um trabalho de sensibilização prévio desenvolvido na rua, «porta a porta» para alertar para a necessidade «de evacuação numa situação real e a obrigação de deixar coisas para trás». São feitas ainda reuniões antecipadas onde é explicado o exercício do simulacro aos habitantes e para onde se devem deslocar ao ouvirem os sinos da igreja. Por fim, é necessário coordenar «com todas as entidades» os procedimentos «para que no dia tudo esteja preparado», esclarece o coordenador.

Para o presidente da Câmara de Porto de Mós é «impressionante» a forma como as pessoas «valorizam este tipo de simulacros» por sentirem «que alguém se preocupa com elas», nomeadamente por ser uma população «muito envelhecida». O facto de saberem que se «houver um incêndio real e o sino tocar, chegam ao local de segurança e têm alguém para os proteger», é, na opinião do presidente, um «facto que os tranquiliza». Além da «educação da população» para este tipo de procedimentos, Jorge Vala acredita que estes simulacros permitem um «espírito auto-crítico» para a «avaliar o que correu menos bem para depois corrigir». À semelhança do que aconteceu na Barrenta e no Covão da Carvalha, «a zona dos Bouceiros é crítica» ao nível das comunicações e por isso «já se sabe que se houver uma situação real tem que se chamar uma viatura especial de comunicações» para poder estar tudo ligado».

O balanço deste simulacro foi considerado positivo por quase todas as entidades. Além das falhas na comunicação foi apontada ainda, por alguns elementos, a necessidade de criar um ambiente mais real e imprevisível. No entanto, Nuno Moleiro, defende que os simulacros devem pressupor «um conhecimento total» de como se vão efetivar. Houve ainda uma antecipação de uma parte da população, que se aglomerou junto ao local de segurança, na Igreja do Bouceiros, antes dos sinos sinalizarem a chamada da população.

Já o comandante dos Bombeiros Voluntários de Porto de Mós, Elísio Pereira, refere que estas iniciativas só fazem sentido se forem cumpridos «os pressupostos de limpeza» para depois sim «rotinar a população para alguns procedimentos». No entanto, o comandante admite que é mais a favor do «confinamento do que da evacuação» e que se for ele a comandar as operações vai «dar primazia ao confinamento da aldeia» para que as pessoas «possam tomar conta daquilo que é deixado pelos bombeiros em detrimento das situações de maior dimensão».