Um espaço interpretativo da Fórnea, um percurso pedonal ciclável entre Alcaria e Alvados e uma zona de contemplação do “Vale Encantado”. Estas foram as grandes novidades para a União de Freguesias de Alvados e Alcaria saídas da reunião de câmara descentralizada realizada no passado dia 14 de fevereiro, precisamente em Alcaria.

Aos três já referidos junta-se a reconversão do antigo Centro de Atividades de Ar Livre, de Alvados, em Posto Avançado de Turismo de Natureza que, por sinal, será o primeiro projeto a avançar. Perante uma sala repleta de público, o presidente da Câmara, Jorge Vala, fez uma apresentação sumária dos quatro projetos que, o executivo acredita, vão mexer não só com a população local mas com todo o concelho e que se inserem na política de investimento no turismo.

A zona interpretativa de acesso e de visitação da Fórnea nascerá junto à EN243, na zona da Bica (Alcaria), e terá dois espaços principais: uma zona de estacionamento a instalar num terreno que está a ser negociado pela Câmara e, poucos metros depois, um centro interpretativo, feito em madeira tratada e dotado de sanitários. O que se pretende é, por um lado, impedir que viaturas automóveis continuem a circular numa zona que já há vários anos é de acesso interdito mas que alguns teimam em não respeitar, e tornar a visitação de um espaço de rara beleza mas bastante sensível, mais “disciplinada” e informada. A ideia saída dos gabinetes da autarquia será agora desenvolvida por uma empresa da especialidade.

A segunda novidade saída desta reunião é relativa à criação de um percurso pedonal ciclável que una Alcaria e Alvados, numa extensão de 4,1 quilómetros. Em boa verdade, a intenção já era conhecida porque, por mais de uma vez, o presidente da Câmara já o referira em público, mas até agora não eram conhecidos pormenores.
Assim, de acordo com o autarca, é um percurso que nasce em Alcaria, em estrada municipal mas que a Câmara gostaria que viesse a englobar ainda um troço ao longo da estrada nacional nas imediações do café da Bica. Depois segue até bem dentro de Alvados até ao final do rio Cabrão, até porque a intervenção a ter lugar passa também pela reabilitação das margens do rio.

Esta via ciclável terá quatro espaços de descanso, todos eles construídos em pedra, e isso não acontece por acaso: O objetivo é que cada um além de cumprir a sua função principal possa, ao mesmo tempo, funcionar como autêntico mostruário ao vivo das diversas variedades de pedra extraída e comercializada no concelho. Os espaços de descanso serão instalados junto à lagoa de Alvados (o maior de todos), entre a Lagoa e Alcaria, e nos dois pontos de entrada do percurso.

Para Jorge Vala, este projeto, que será candidatado a fundos europeus, constituirá não só uma «afirmação da coesão territorial» mas, sobretudo, algo que virá beneficiar as pessoas de Alcaria e de Alvados «potenciando também o turismo de qualidade» que a Câmara quer para aquelas duas aldeias. «Tenho a certeza que é um projeto que vai valer a pena e que melhorará muito aquilo que é a oferta que esta freguesia dá aos visitantes, mas também será importante para as pessoas que aqui vivem porque é também para elas que estes equipamentos servem», frisou.
A zona de contemplação do denominado “Vale Encantado” – entre Alvados e Alcaria – é outra das apostas para aquela área do concelho e Jorge Vala acredita que virá reforçar «a oferta que Alvados e Alcaria poderão dar aos nossos visitantes»: «Mais que um miradouro, o espaço a criar junto às Grutas de Alvados será», segundo o autarca, «uma verdadeira zona de contemplação sobre o Vale Encantado».

Por último, o Posto Avançado de Turismo de Natureza, cujas obras deverão arrancar em breve resultará da requalificação profunda do antigo Centro de Desportos de Ar Livre, num investimento a rondar os 150 mil euros. «Vamos transformá-lo não só num espaço expositivo mas também de receção, a chamada porta de entrada para o turismo de natureza do concelho de Porto de Mós», adianta Jorge Vala. O Posto contará com espaços de apoio aos praticantes de desportos de natureza e aos caminhantes, dotados de balneários, uma loja de produtos locais, um espaço de restauração e cafetaria e uma galeria de exposições.

Isidro Bento | texto