Foto: Jéssica Silva

Terminou no passado dia 13 de maio, mais uma peregrinação internacional ao Santuário de Fátima. Uma celebração presidida pelo cardeal filipino Luis Antonio Tagle e que contou com a participação de 200 mil peregrinos. Dar graças por peregrinar em Igreja era o tema deste ano, numa peregrinação que contou com a participação de 202 grupos de 40 países.

A vila de Porto de Mós proporcionou, entre os dias 10 e 13 de maio, dois pontos de apoio para que a caminhada até Fátima fosse o menos penosa possível. Um desses pontos, da responsabilidade da Junta de Freguesia, localizou-se no Largo do Rossio, com apoio alimentar e médico. O presidente da autarquia, Manuel Barroso, explicou que «já é o segundo ano consecutivo que se faz naquele local porque é um ponto central onde passam todas as pessoas, onde há casas de banho muito perto e chuveiros para quem queira tomar banho».

O autarca referiu que em horas distintas, e com o objetivo de cobrir o maior tempo possível, este ponto de apoio contou com a «ajuda de cerca de 100 voluntários, onde se incluíam 20 enfermeiros». Manuel Barroso, tece rasgados elogios a estes profissionais de saúde: «Os enfermeiros são uma classe espetacular. Os nossos enfermeiros são voluntários e têm sempre uma prontidão que se calhar em outras classes não acontece».

Outro dos pontos de apoio situou-se na antiga Casa do Povo, atual Forúm Cultural, e estava a cargo da Conferência de São Vicente de Paulo da Paróquia de Porto de Mós.

Apesar do cartaz elucidativo do apoio aos peregrinos apenas fazer referência a dormidas, nesse local o apoio prestado ia mais além, sendo possível também fazer uma refeição completa, tomar um banho quente e ter apoio médico. Além de lençóis lavados, almofadas, cobertores e uma mesa sempre com comida, era com uma imagem de Nossa Senhora de Fátima que quem por quem lá passasse era recebido.

Regina Santos, presidente da Conferência de São Vicente Paulo, já não se lembra ao certo há quantos anos está presente neste apoio aos peregrinos, mas sabe que deve ser há «23 ou 25 anos».

O Fórum Cultural em parceria com o exército português e em colaboração com a Câmara Municipal recebeu 45 colchões, menos 10 do que estavam à espera. Não obstante, Regina referiu que caso chegassem mais pessoas, havia a possibilidade de se conseguir arranjar mais.

Quando questionada sobre o seu papel em ajudar os peregrinos, Regina é perentória: «é um trabalho compensador e gratificante, por aquilo que nós ouvimos e aprendemos deles. Porque é tão rico para eles como para nós».

A devoção na primeira pessoa

Antónia Marques e Maria Carramona, amigas, vieram da Ericeira com mais duas pessoas e decidiram fazer a peregrinação juntas. No Fórum Cultural, a descansar e a receber massagens da enfermeira, foi assim que O Portomosense as encontrou e esteve à conversa com estas duas peregrinas. Apesar de unidas pela fé e pela amizade, os motivos que as levam a fazer a peregrinação são distintos.

É a segunda vez que Antónia faz a caminhada. «Não prometi nada, só prometo quando chegar ao pe de Nossa Senhora». É de lágrimas nos olhos que explica as razões que a movem: «O meu neto tem uma doença na pele e é grave. Não há meio de curar, não tem cura. E eu vim pedir à nossa senhora que o curasse». É amargurada e algo angustiada que expõe o outro motivo que a leva a Fátima: «era pedir para o meu filho mais velho aparecer, porque eu não lhe fiz mal nenhum e ele desapareceu».

Para a colega, Maria Carramona, as peregrinações de maio e outubro são cumpridas religiosamente «Nunca falhei. Há já 13 anos que ando nisto. Já cá venho 44 vezes, com esta, se Deus quiser, se eu chegar a Fátima, vão ser 44 vezes.» A fé que a move e o motivo pelo qual decide fazer a peregrinação fazem-na voltar sempre. É também chorosa, que Maria explica o porquê de fazer esta caminhada: «Eu prometi a Nossa Senhora que enquanto o meu menino não vier ao pai, que já tem 16 anos, nem que eu venha de rastos, mas tenho que vir».

Unidos pela fé, espiritualidade e devoção a Nossa Senhora de Fátima são milhares os peregrinos que todos os anos rumam a Fátima, 102 anos depois dos acontecimentos da Cova da Iria.