Foto: Jéssica Moás de Sá

Reza a lenda que na Batalha de Aljubarrota, em 1385, que opôs portugueses e castelhanos, motivados pela luta da sucessão ao trono português, a padeira de Aljubarrota foi heroína quando, com a sua pá e num momento de bravura, matou sete castelhanos que encontrou escondidos no forno. Num dos locais onde sete mil portugueses batalharam contra 30 mil castelhanos, hoje, está um parque de arborismo que nos invoca a, tal como a padeira de Aljubarrota, olharmos para obstáculos com bravura. Mas se da lenda da padeira não temos certeza, da existência deste novo parque, junto ao Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota (CIBA), temos provas. O Portomosense foi conhecer o Parque Aventura de São Jorge e conta-lhe a experiência.

O CIBA, fundado em 2002, conta a Batalha de Aljubarrota aos visitantes de uma forma criativa com auxílio da tecnologia mas, ainda assim, há público resistente que «por apetência ou desconhecimento» não visita o centro, explica João Mareco, diretor do CIBA. Foi para «atrair públicos diferenciados» e motivado por uma anterior iniciativa do Ministério da Cultura sobre a comemoração dos sítios e museus através do desporto que, o responsável, pensou em construir «alguma atividade ao ar livre». Falou com os responsáveis da Aktive Kompanies (AK), parceiros recorrentes em algumas atividades do centro, que «propuseram a construção do parque de arborismo». Este foi o primeiro capítulo da história deste novo parque que resultou num protocolo entre a Fundação Batalha de Aljubarrota e a AK.

Este não podia ser «apenas mais um parque de arborismo», tinha que «ter algo que o diferenciasse dos outros» por estar inserido no espaço CIBA, defendeu João Mareco. Por essa razão, este é um parque tematizado em que cada obstáculo alude à Batalha de Aljubarrota. A adesão «tem sido boa», no entanto, aponta o diretor, há duas dinâmicas distintas: uma de fim de semana para público em geral e outra durante a semana. Durante a semana, o parque «recebe essencialmente as escolas», que, até agora, não tinham opção de comprar bilhete aglomerado, com visita ao CIBA e experiência no parque. A partir do próximo ano letivo esses pacotes vão ser incluídos nas reservas escolares, o que pode trazer, acredita João Mareco, «uma maior adesão».

À confiança, tenha 8 ou 80 anos!

Seria ingénuo ficar apenas pela opinião do monitor responsável pelo parque, Leonel Fernandes, muito experiente nestas andanças, que afirma que os obstáculos «são fáceis de superar». O Portomosense preferiu testar e agora sim, podemos dizer-lhe: pode ir à confiança!

Se for experimentar o novo Parque Aventura de São Jorge, primeiro, terá que passar pelo circuito Treino de Escudeiros que é, como o nome indica, um treino de adaptação para o circuito principal. A ideia é que os participantes percebam «como funciona o sistema de transposição», explica o monitor, para que depois seja mais fácil ultrapassar o segundo circuito. Quem sofre de vertigens, tem aqui um bom teste, feito apenas a um metro e meio e dois de altura. Os obstáculos são relativamente acessíveis, mais difícil é relembrar o cérebro, a cada movimento, de que estamos seguros por um sistema de linha de vida que não nos vai deixar cair. É por isso, explica Leonel Fernandes, que o arborismo é considerada uma atividade de «superação», por vezes, mais «mental do que física». O sistema de linha de vida é «pioneiro em Portugal» e, assegura o responsável «100% seguro». A «grande variável» em relação aos outros sistemas é que é um «sistema contínuo que passa de árvore para árvore sem que o participante tenha que se preocupar em movimentar o seu arnês para passar os obstáculos», permitindo que «se concentre apenas em superar a aventura». Feito pela segunda vez o treino de escudeiro e já habituados ao equipamento, estamos “preparados para a guerra”.

O circuito principal, A Batalha, para os guerreiros a sério, tem obstáculos entre cinco e seis metros de altura. Se por um segundo pensar que não é capaz, fica aqui um incentivo: as crianças a partir dos 6 anos estão autorizadas a participar e se achava que não eram capazes, vimos algumas a completar o circuito com sucesso. A beleza do espaço envolvente alia bem com os vários símbolos bélicos, como canhões de guerra, símbolos da nação e as pás e panelas da padeira de Aljubarrota. A cada superação, há mais um capítulo da Batalha para conhecer através de «escudos informativos». Este é o único parque do país que junta as duas vertentes, o «arborismo e a parte formativa». Nesta fase, já seguros do sistema, resta-nos aproveitar e tentar passar da forma mais coordenada cada obstáculo e aproveitar a experiência. Depois de várias repetições, vai-se esquecer que está no cimo das árvores. A Batalha está ganha, como manda a História.

Por enquanto, diz João Mareco, faz-se «navegação à vista» até perceber a «recetividade» do público em relação ao parque. No futuro, a ampliação do parque é uma perspetiva em cima da mesa. O diretor do CIBA diz ter o «desejo de sobrevoar todo o planalto de São Jorge através de um circuito e um slide maior». Leonel Fernandes diz que esse aumento pode ser feito com alusão ao tema «dos arqueiros ingleses», que de acordo com a História «participaram e ajudaram os portugueses na Batalha de Aljubarrota».