O Governo divulgou, no dia 16 de janeiro, a lista das freguesias com maior risco de incêndios florestais. No total, em todo o país, o Governo elegeu como prioritárias ações de limpeza em 8399 aldeias de 1142 freguesias.

No concelho, as únicas freguesias fora das zonas de maior risco são a Calvaria de Cima e o Juncal, encontrando-se sem prioridade identificada no mapa. O presidente da Câmara não concorda, mais uma vez, com a lista apresentada, e confessa que já no ano anterior tinha manifestado a sua discordância junto do Secretário de Estado das Florestas.

«Entendo que a forma como está e se continua a errar na avaliação das freguesias de risco acaba por ser uma falácia», diz Jorge Vala em declarações a O Portomosense, e justifica que «é errado porque o peso principal na avaliação destes critérios de risco continua a ser a incidência de focos de incêndio no ano passado. O mapa é exatamente igual no que diz respeito ao concelho».
Na opinião do autarca, «isto não faz sentido» e acrescenta que «devemos acautelar é onde existem efetivamente zonas de risco. Tivemos o cuidado de comunicar zonas de risco elevado nas freguesias do Juncal e Calvaria, em zonas onde estamos a intervir com prevenção e manutenção e com alguma pedagogia junto da população, mas são zonas onde a intervenção não é tão incisiva, por assim dizer, porque temos efetivamente que entrar naquelas que são a primeira prioridade».

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que compilou estes dados, divide estes territórios por nível de prioridade na intervenção: um, mais urgente, e dois, menos urgente. Segundo o ICNF, a identificação destes territórios é feita com base em três indicadores: a ocupação do solo, o declive e o histórico de incêndios, sendo esta última componente, que varia anualmente, que mais influencia a avaliação.

Na opinião de José Silva, comandante dos Bombeiros do Juncal, estas freguesias deveriam estar incluídas nas zonas de maior risco. «Antes tínhamos zonas agrícolas e que deixaram de ser exploradas e que passaram a ser zonas arborizadas, mas o Município e o corpo de bombeiros está ciente desse risco», salienta. Já o comandante dos Bombeiros de Porto de Mós, Elísio Pereira, que tem a Calvaria como sua área de intervenção, diz que «esta forma de escolha, por vezes, pode não ser a melhor opção, e é o que se verifica neste caso».

Aldeias Seguras,
Pessoas Seguras regressa em março

O projeto Aldeias Seguras, Pessoas Seguras é direcionado para aldeias de primeira prioridade. O autarca revela que em março, mês da proteção civil, «vamos ter um conjunto de iniciativas ligadas a este projeto, mas todas nas aldeias de primeira prioridade, ficando de fora as freguesias não só de Calvaria de Cima e Juncal, mas também as freguesias de Pedreiras e Porto de Mós, por se encontrarem em segunda prioridade», revela o presidente.

Governo anuncia reuniões de trabalho

Na audição da comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, a 8 de Janeiro, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, precisava «que já a partir da segunda quinzena de Janeiro e até ao final de março» iriam ser realizadas «reuniões de trabalho com todas as comunidades intermunicipais do país e com as duas áreas metropolitanas, com o objetivo de ajudar a esclarecer e trabalhar em conjunto».

Limpeza de terrenos até 15 de março

Os proprietários voltam às limpezas em terrenos confinantes a edificações, abrangendo um perímetro de 50 metros, aglomerados populacionais e áreas industriais, num raio de 100 metros, até 15 de março, de acordo com a Lei.

O despacho determina que a fiscalização, se efetue entre os dias 1 de abril e 31 de maio.
Quanto à fiscalização da limpeza das faixas de proteção das redes viária e ferroviária e das linhas de transporte e distribuição de energia elétrica será efetuada entre os dias 1 e 30 de junho.