Nos passados dias 2 e 3 de novembro, a freguesia de São Bento acolheu pela 13.ª vez, o Festival Gastronómico. Se no sábado o dia foi dedicado ao Festival de Sopas, no domingo o pensamento que norteou as mais de 300 pessoas, que se deslocaram até ao salão da igreja da freguesia, foi o de degustar o prato de Chanfana.

O presidente do Clube Desportivo de São Bento, Márcio Rafael, explicou a O Portomosense a razão da escolha por esta iguaria, tão típica da região Centro. «O prato principal é a chanfana porque faz parte desta serra, através das cabras que aqui existem. Acho que já é uma marca para a nossa terra», salienta.

Este ano, e segundo Márcio Rafael, participaram nesta iniciativa «entre 450 a 500 pessoas». O balanço, esse, é «positivo» e o número de participantes tem vindo a «aumentar praticamente ano após ano». O festival que teve início em 2006, contou nesta edição com «130 quilos de carne de cabra consumidos».

Se por um lado, o festival é feito principalmente com os habitantes da terra e das zonas adjacentes, há também quem se aventure a vir de Santarém. Foi o caso de Augusto Fonseca, de 61 anos, natural da freguesia da Romeira que fazia parte de um grupo de 11 pessoas que vieram do distrito vizinho para provar a chanfana. Com familiares em São Bento, refere que desta forma, consegue «juntar o útil ao agradável», ou seja, degustar o prato e ainda matar saudades.

Este evento já é visto quase como que uma tradição para Augusto Fonseca que marca presença há quase seis anos. Foi graças ao seu convite que Marília Flávio veio até São Bento. Sobre o festival só tem a dizer o melhor: «Gosto bastante da comida que é muito boa. O ambiente é ótimo. É tudo caseiro», sublinha.

Celeste Marques, de 67 anos, veio da Barrenta. Conta que o principal motivo que a levou lá foi o facto de o marido «gostar muito de chanfana». Esta foi a segunda vez que rumou até São Bento. Quando questionada sobre se pondera regressar uma terceira vez, responde: «Até uma quarta ou quinta, sempre que for possível, cá estaremos!». Realçando o facto de as pessoas serem acolhedoras, refere que não tem nada de negativo a apontar ao evento.

“Self-service” marcou edição deste ano

Cerca de seis meses antes, as 11 pessoas que compõem a direção do Clube Desportivo de São Bento começam a planear o Festival Gastronómico de São Bento. Um número que se multiplica durante os dois dias do evento.

Foi numa dessas reuniões que Márcio Rafael considerou que o facto de o «número de pessoas ter vindo a aumentar», exigia, este ano uma «logística diferente» para servir às mesas. A decisão recaiu em alterar o método e passar a ser feito através de self-service. Não haver «desperdício de comida» foi a principal razão para essa alteração. Desta forma, as pessoas servem o seu próprio prato e trazem apenas a comida de que «necessitam».

Esta foi uma mudança que agradou a Augusto Fonseca. «Trazemos menos comida, vamos mais vezes mas vem sempre quentinho! Antes, a travessa com o comer ficava na mesa e enquanto nós comíamos ele ia arrefecendo», destaca.

Sobre a longevidade do Festival Gastronómico, Márcio Rafael é perentório: «O segredo é muita união e esforço do associativismo».