A aposta na prevenção é clara. O Município de Porto de Mós «não tem casos referenciados de violência sexual em crianças e jovens», garante a vereadora da Ação Social, Telma Cruz, mas quer estar preparado «caso venham a existir». Foi neste sentido que a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Porto de Mós entrou em contacto com a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) para realizar uma formação. A ideia era «capacitar todos os elementos para dinamizarem ações de prevenção e para estarem alerta para determinados sinais que as crianças e jovens possam dar», indicando que estão em «situação de risco», frisa a autarca.

A formação de 21 horas dividiu-se em três dias, 31 de outubro e 7 e 14 de novembro, dinamizada no Espaço Jovem. A ação está enquadrada no âmbito do Projeto Care, de apoio a crianças e jovens vítimas de violência sexual, dinamizado pela APAV e co-financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e pelo Portugal Inovação Social. Tânia Cruz, gestora operacional deste projeto, explicou que o principal objetivo é «capacitar e sensibilizar as crianças e jovens, a sociedade civil e também profissionais que trabalhem com crianças e jovens» para a realidade da violência sexual.

Na primeira sessão, a formação incidiu, sobretudo, em «questões jurídicas» onde foram abordados «o crime, os vários tipos de crime, a indemnização da Comissão da Proteção de Vítimas de Crime», explica a técnica. Tânia Cruz lembrou que existem vários tipos de violência sexual sem ser o abuso, entre eles a «pornografia de menores, o lenocínio e o tráfico de pessoas pela exploração sexual». A segunda ação foi dedicada aos casos práticos, com exemplos concretos, onde se explicou o que é «uma perícia médico-legal, as características da vítima e do agressor». Na última sessão, fez-se «um resumo do trabalho desenvolvido pela APAV, dos vários atendimentos que tem, do apoio que presta e da forma como conduz os processos de apoio em diferentes situações». A gestora do projeto lembrou que todas estas ferramentas têm como meta minimizar «o impacto da violência na vítima».

Ainda existe «muita desinformação», acredita Tânia Cruz, principalmente porque «há muito preconceito em relação a este tema». «Ainda é um tema tabu, vemos muitas situações de crianças e jovens desacreditadas porque as pessoas desvalorizam ou aceitam simplesmente», frisa. Há quem conheça situações de violência sexual mas não conheça «os procedimentos e a quem deve pedir ajuda para denunciar». No entanto, Tânia Cruz acredita que a evolução está a ser feita: «Ainda há muito a percorrer, mas o caminho está a ser feito e já houve um melhoramento muito positivo», frisa.