O grupo de teatro, Trupêgo, de Porto de Mós, completou no ano passado 10 anos, e para assinalar a efeméride lançou no dia 30 de março, o livro 10 Anos Trupêgo.

Com quase 200 páginas, o livro aposta essencialmente na fotografia para ilustrar o percurso do grupo, dando a conhecer os seus elementos, as peças apresentadas em vários palcos concelhios e regionais e outras representações em que esteve envolvido com fins didáticos e/ou de recriação histórica. A obra termina com os depoimentos de vários dos elementos do grupo sobre este projeto e a forma como entraram e estão nele.

No decorrer da cerimónia de lançamento, realizada no auditório do Cineteatro, António Almeida, sócio fundador do Trupêgo e um dos rostos do grupo, disse que «tanto quanto se possa saber o Trupêgo é o único grupo de teatro [no concelho] que teve uma atividade contínua durante tantos anos». «Já encenámos não sei quantas peças, fizemos bastantes espetáculos e chegámos a ter duas produções por ano e nunca interrompemos a nossa atividade», realçou.
Em jeito de balanço considerou terem sido «10 anos bons» apesar de, por vezes, «haver atritos», o que é, no seu entender, «natural, no conjunto de tantas pessoas com sensibilidades diferentes». De qualquer forma, «da discussão nasce a luz e esses momentos chegam ao fim com a coisa resolvida e bem», adiantou.

António Almeida recordou que tudo começou na sequência de um curso promovido pela Associação de Desenvolvimento da Alta Estremadura, que teve como um dos formadores, Vitória Condeço, atriz profissional, do grupo de teatro O Nariz, de Leiria. «No final, ela perguntou-nos por que não fundar um grupo de teatro e nós decidimos avançar e tivemos bastante apoio da Câmara e da Junta», disse, apelidando Vitória Condeço como a “mãe” do grupo, título que a própria, bem-disposta, rejeitou de imediato.

A atriz evocou esse período do qual resultou a revitalização dos grupos de teatro já existentes e a criação de novos nos concelhos onde não existia nenhum. Do contacto com os 10 a 15 atores amadores portomosenses, Vitória guarda boas memórias afirmando que feitas as contas terá «aprendido mais, que ensinado».

Vitória Condeço felicitou o Trupêgo «por estes 10 anos de trabalho e por se manter de pé» e deu «os parabéns à Câmara por apoiar o projeto, porque, se o poder local não apoiar este tipo de projetos, muito dificilmente vingam». A atriz realçou ainda como muito positivo que este grupo abarque «desde os mais pequeninos aos mais velhos».
Encerrou a sessão, o presidente da Câmara, Jorge Vala, que felicitou o Trupêgo pelos 10 anos de trabalho e pela iniciativa de guardar as memórias desse percurso em livro e fez votos para que «daqui a 10 anos seja editado o segundo volume desta obra».

Jorge Vala disse que «nos dias de hoje a identidade de uma terra vale muito por aquilo que é a capacidade das pessoas se afirmarem na cultura» e nesse sentido «a Câmara não só apoia e promove iniciativas na área do teatro, como organiza festivais como o Teatremos, ou o Teatro de Rua». Por último evocou o Fórum Cultural Portomosense, entidade que congrega diversas instituições culturais, dando-o como exemplo da «capacidade agregadora» das gentes de Porto de Mós, e de «um projeto cultural que, com certeza, vai ganhar escala e ter sinergias diferentes, envolvendo todos aqueles que fazem cultura na vila e, nalguns casos, no concelho».

Teatremos encerra com casa cheia

O lançamento do livro coincidiu com a noite de encerramento do Teatremos que, durante quatro fins de semana, trouxe à vila de Porto de Mós, cinco peças de teatro, a última delas apresentada pelo próprio Trupêgo. A história de Pedro e Inês revisitada pelo grupo local esgotou a lotação do cineteatro, havendo, inclusive, público de pé ou sentado nos corredores.