Entre os 16 clubes do distrito de Leiria que receberam, da Federação Portuguesa de Futebol, a Certificação como Escola de Futsal, estão dois clubes do concelho: o Condestável Atlético Clube e a Associação Recreativa Cultural e Desportiva da Mendiga, ambos com a atribuição de duas estrelas. Esta atribuição, de uma a cinco estrelas, varia consoante alguns fatores, nomeadamente o número de equipas e escalões do clube e a participação em provas nacionais nos últimos três anos. O Portomosense falou com responsáveis das duas equipas para entender o impacto desta certificação.

Formação tem vindo a crescer no Condestável

O presidente do Condestável, Tiago Sá, espera que este reconhecimento possa trazer «mais benefícios monetários, mais atletas e mais pessoas para ajudar a associação». Já Hugo Sancho, o coordenador da formação do clube de São Jorge, lembrou que este «não é um processo fácil» e que o Condestável o ultrapassou por ter «uma estrutura organizada».

São mais de 100 os critérios que compõem o processo de certificação, divididos em várias categorias, entre elas o acompanhamento médico-desportivo, o acompanhamento escolar, pessoal e social, a produtividade e as instalações e logística. Hugo Sancho destaca que a equipa técnica da formação é «licenciada em desporto e educação física» e consegue «ligar-se aos miúdos» e saber como «reagem e o que procuram no desporto». O clube tem ainda «a preocupação», garante o coordenador, de «registar as notas» dos jogadores e «acompanhar com os pais» todo o percurso escolar dos filhos.

O Condestável tem atualmente 53 jogadores nos escalões de formação, entre os 5 e os 15 anos e a procura «tem sido bastante», afirma Tiago Sá, que acrescenta que todos os anos o número «tem vindo a crescer». Apesar deste crescimento, o clube continua a não ter sede própria e mantém-se com espaços cedidos. Uma das metas passa por tentar «procurar apoios para ter uma sede», admite o presidente. Já o coordenador da formação diz que o projeto «passa por criar uma pirâmide na formação até aos juniores», para que, «quem sabe, um dia» se possa voltar a apostar nos seniores, escalão que atualmente não existe no clube, devido aos «custos que acarreta».

Mendiga vai abrir equipa de iniciados e juniores

O presidente da Mendiga, António Manuel, acredita que esta certificação é «uma garantia de que o trabalho está a ser bem feito», destacando o «acompanhamento na educação, o excelente posto médico, os fisioterapeutas e o psicólogo» presentes na equipa. João Gomes, treinador da formação, frisa que a Mendiga tem uma estrutura «empenhada» em dar o «máximo de condições para que eles se tornem jogadores» mas «ainda mais importante, para que se tornem homens». O técnico salienta também as «condições espetaculares das instalações». O fisioterapeuta do clube «é licenciado» e a «clínica faz parte das instalações da Mendiga», o que permite que os jogadores tenham «tratamentos a laser e choque» quando se lesionam.

Neste momento o clube tem 60 jogadores na formação, número que representa «um decréscimo» em relação a outros anos. Na próxima época vão reabrir «duas equipas, uma de iniciados e outra de juniores», garante António Manuel. No treino de captação para os juniores estiveram 26 jogadores, um número representativo, para João Gomes. O treinador lembra que, sendo a Mendiga «um clube da serra», não tem tantos «jovens» como outros locais do concelho.

O objetivo é que estes jogadores percorram todos os escalões e «possam jogar na equipa sénior do clube», explica João Gomes