As escolas Dr. Manuel Oliveira Perpétua e Secundária de Porto de Mós integram desde o início a lista dos 4263 edifícios, instalações e equipamentos públicos que contêm fibras de amianto na sua construção, mas quatro anos depois do Governo ter tornada pública a listagem o problema ainda subsiste. Já alguma coisa foi feita, mas a cobertura de ambos os edifícios ainda é em fibrocimento e isso preocupa alguns encarregados de educação uma vez que esse composto de cimento, utilizado por exemplo, em placas para paredes, chapas onduladas e telhas para coberturas, integra 10 a 15% de fibra de amianto, substância que, em determinadas condições, poderá ter efeitos graves na saúde, nomeadamente, originar vários tipos de cancro.

Cruzando dados do Ministério da Educação, tornados públicos nos últimos anos, com os de entidades como a Quercus e o Sindicato de Todos os Professores verificamos que entre as 2653 escolas dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário existentes em Portugal (dados Pordata), 739 estavam identificadas como tendo coberturas em fibrocimento, mas até meados do ano passado, só cerca de 450 foram alvo de intervenção para a retirada desse material. Quase metade das escolas continuam, então, à espera de obras, entre elas a Dr. Manuel Oliveira Perpétua e a Secundária de Porto de Mós, e assim podem continuar por tempo indeterminado. Esta é, pelo menos, a convicção de alguns dos diretores dos agrupamentos de escolas onde a situação está identificada, entre eles, Rui Cláudio Almeida, o diretor do Agrupamento de Porto de Mós.

Em declarações a O Portomosense, o dirigente escolar explica que «a única coisa que se alterou há seis anos foi nas galerias [espaço coberto entre pavilhões] em que foi substituído por chapa», de resto, independentemente de uns pavilhões serem mais recentes que outros, «todos têm cobertura em fibrocimento».

Embora frisando não ter «conhecimentos técnicos nesta área para uma opinião avalizada», mas tendo em conta, apenas, que a cobertura não aparenta estar «em mau estado ou a desfazer-se», Rui Cláudio Almeida, acredita não haver «grande perigo». «Na minha opinião, nas galerias o perigo era maior porque havia um contacto mais direto com as coberturas em fibrocimento mas essa situação, felizmente, foi resolvida» refere, não deixando, contudo, de realçar que mesmo que no imediato o perigo possa ser reduzido, o caso tem de ser resolvido, até porque isso decorre da Lei nº2/2011, de 9 de fevereiro. Quando? É a grande incógnita.

«Nós temos estado a fazer pressão [junto do Ministério da Educação] mas não tem servido de muito. No caso da Secundária já foi feito um levantamento e apresentado o orçamento à Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares mas estamos a falar de quase 100 mil euros e ainda não foi possível avançar com esta verba”, refere o responsável admitindo que só vê uma solução: «A escola está a necessitar de uma intervenção de fundo, nomeadamente de remodelação e ampliação e, portanto, a retirada do material com amianto deverá ser feita em simultâneo com as obras. Não estou a ver o Ministério gastar ali dinheiro em dois momentos distintos».