Foto: Jéssica Moás de Sá

Terminou no passado domingo, 28 de julho, a 27.ª edição do Cistermúsica, festival com raízes em Alcobaça, mas que se tem estendido a outros municípios. Na edição deste ano, o concelho de Porto de Mós também foi contemplado, com um concerto em que o palco foi um lugar distinto pela sua beleza natural, a Fórnea, na União de Freguesias de Alvados e Alcaria.

Rui Morais, diretor artístico do festival, explicou, em declarações a O Portomosense, que desde 2015 que o festival de música clássica tem «uma programação descentralizada», algo que faz parte da estratégia pensada para o festival «há vários anos». Por isso, começou por seguir a chamada Rota de Cister que «leva a programação a mosteiros cistercienses [como o Mosteiro de Alcobaça]». Em paralelo, explica o diretor, começaram a ser feitos «contactos com vários municípios vizinhos» para «criar uma programação em rede» que fizesse chegar a música erudita a concelhos que não têm uma programação regular nesta área». Este ano o festival apresentou 50 concertos em mais de 15 municípios. Foi neste sentido que o Município de Porto de Mós propôs ao Cistermúsica «a realização de um concerto» num espaço que era «desconhecido» para Rui Morais.

O concerto teve como protagonistas Gonçalo Pescada no acordeão e Mário Marques no saxofone, instrumentos escolhidos por terem «muita projeção sonora» necessária para um bom espetáculo em anfiteatro natural, explica o responsável. A experiência revelou-se, na opinião de Rui Morais, «muito interessante» porque sendo o Cistermúsica um festival «com ligação ao património», o concerto na Fórnea permitiu uma experiência diferente de contacto «com a natureza e com um enquadramento paisagístico» único. O «facto de ter estado muita gente» foi também frisado pelo presidente do festival que acredita que a «parceria com o Município será para continuar e aprofundar», mantendo o concerto anual e «eventualmente noutros locais» propostos.

O Cistermúsica é «atualmente o maior festival de música clássica no país», destaca Rui Morais, acrescentando ainda que este tem evoluido não só territorialmente mas também «do ponto de vista artístico», deixando de ser apenas em torno da «música erudita», procurando «outras linhas programáticas» como «o fado e o jazz». O lema “Um clássico para todos” serve para desmistificar a ideia de que a música clássica é apenas para um nicho, tentando criar «uma programação inteligente e uma comunicação eficaz» para atrair novos públicos. O objetivo tem vindo a ser cumprido e este ano «muitos espetáculos esgotaram» com uma duplicação do público face ao ano passado.