Foto: Catarina Correia Martins

No passado dia 21 de junho, Porto de Mós acolheu a IV Gala Porco d’Ouro, organizada pela Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS) que «afirma a excelência da produção suinícola no nosso país», como referiu o presidente da Câmara Municipal, Jorge Vala, premiando as explorações que se destacaram na várias categorias a concurso. Foram entregues 31 prémios, 18 dos quais para a o grupo Agrupalto. As explorações Valpor, com sete galardões, e Porval, com quatro, foram, respetivamente, as segundas e terceiras mais premiadas. A praça da República encheu-se de glamour para receber os mais de 600 convidados, entre os quais o secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Medeiros Vieira, e o presidente da Comissão Parlamentar da Agricultura e Mar, Joaquim Barreto.

A concurso estiveram 53 explorações de empresas pertencentes ao Bdporc – Portugal, cujas classificações, relativas ao ano de 2018, foram apuradas a partir de 25 758 porcas reprodutoras. Em disputa estavam os prémios Produtividade Numérica, que distinguem as explorações com o valor médio mais elevado de «leitões desmamados por porca em produção»; Taxa de Partos que premeia as explorações com «maior percentagem de partos em relação ao total das cobrições realizadas»; e Longevidade em que se distinguem as que tenham «alcançado o maior valor médio de leitões desmamados durante a vida produtora das reprodutoras reformadas em 2018». As explorações são divididas em escalões consoante o número de porcas reprodutoras que tiverem: ao primeiro escalão pertencem as que têm entre 10 e 350 porcas, ao segundo entre 351 e 600 e ao terceiro acima das 601. A cada escalão é atribuído um porco de ouro, um de prata e outro de bronze.

Foto: Catarina Correia Martins

Este ano, a gala contou com quatro prémios especiais. O Prémio Máxima Produtividade Numérica, que distinguiu a exploração com mais leitões desmamados por porca em produção, foi entregue à exploração Nuno Correia, da empresa Intersuínos, pertencente ao grupo Agrupalto, em Alenquer. O Porco de Diamante, que tem em conta os critérios e índices que compõem o conjunto dos resultados produtivos e critérios como medidas de segurança e nível sanitário, foi arrecadado, pelo quarto ano consecutivo, também pela exploração Nuno Correia. O responsável agradeceu aos seus colaboradores, sem os quais as «ideias e estratégias [da administração] valem muito pouco» e referiu que «a suinicultura em Portugal está mais forte» e que os suinicultores têm sabido «estar unidos em todos os projetos». O Prémio Inovação Zoetis, novo este ano, que distinguiu um evento de inovação na produção suinícola, foi entregue ao projeto “Maturação Aeróbia”, da exploração Valão, pertencente à empresa Valorgado do Aligrupo, em Salvaterra de Magos. Outra das novidades foi o Prémio Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, que distinguiu a exploração com melhor desempenho ao nível da sanidade, bem-estar animal, biossegurança e gestão animal. A exploração escolhida foi também a exploração do Valão.

A FPAS prestou ainda duas homenagens, a primeira ao seu Parceiro de Ouro, atribuída à Associação dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais, que «sempre esteve ao lado dos suinicultores»; e a segunda o Prémio Mérito e Excelência, «a quem dedicou a sua vida à suinicultura», a personalidade escolhida foi Nuno Vieira e Brito, «pelo trabalho que desenvolveu, quer enquanto diretor-geral de Alimentação e Veterinária, quer como secretário de Estado da Alimentação e Investigação Agroalimentar», pode ler-se em nota enviada à nossa redação.

Jorge Vala referiu atividade suinícola no concelho

A gala começou com uma receção no Castelo de Porto de Mós, tendo-se depois os convidados deslocado para a praça da República onde decorreu a cerimónia de entrega de prémios. A abrir a sessão, Jorge Vala, começou por agradecer à FPAS a escolha deste município para acolher o evento e, depois de contar um pouco da História do concelho, lembrou que «este território que nos anos 80 do século passado tinha na agropecuária o seu principal fator de desenvolvimento económico, viu esta atividade regredir muito, em consequência das exigências ambientais difíceis de cumprir pelos pequenos empresários». No entanto, depois de ultrapassadas as dificuldades, «de facto, é incontestável a qualidade do que se produz e que tanto tem diferenciado o nosso país no mundo». «Hoje, no concelho de Porto de Mós, ainda existem mais 40 explorações, com cerca de 3 300 porcas reprodutoras, mais de 26 mil porcos de engorda e mais de 80 mil animais produzidos por ano, ou seja, cerca de 2% da produção nacional», referiu. O autarca disse ainda que «o grande salto que se segue passa pelo desbloqueio da ETES, um projeto sistematicamente adiado, com poucos avanços e muitos recuos por parte dos diversos Governos», acrescentando que este projeto «é determinante para que os resíduos deixem de ser uma preocupação dos empresários e passem a ser uma oportunidade do setor», sendo «ainda mais importante para resolver definitivamente alguns dos problemas ambientais» que preocupam as populações.

O presidente da FPAS, Vítor Menino, realçou o trabalho feito pelo Governo «em todo o processo de internacionalização, nomeadamente o recente alargamento do protocolo com a China a alguns subprodutos do porco». Vítor Menino agradeceu também ao presidente da Comissão Parlamentar de Agricultura, pelo que «tem feito pelo mundo rural», mostrando «a quem legisla que os agricultores e produtores portugueses sabem, querem e fazem para a sociedade urbana o que de melhor se pode comer». O presidente salientou ainda que os suinicultores são «os verdadeiros ambientalistas, os verdadeiros defensores dos animais»: «Fomos nós que ontem, feriado, de madrugada, estivemos a tratar dos nossos animais. Seremos nós que amanhã, sábado, e no dia seguinte, domingo, madrugada a dentro estaremos a cuidar, a limpar e a alimentar os nossos porcos. Só quem cuida, preserva. Só quem cria, ama”, rematou.