Foto: Isidro Bento

O projeto “Ginásio da Escola Secundária de Mira de Aire” foi o grande vencedor do Orçamento Participativo 2019, com 647 votos. Em segundo lugar mas a grande distância, ficou um outro oriundo de Mira de Aire, a requalificação do Largo da Paz, no qual votaram 289 munícipes. Na terceira posição ficou “Passadiços do Covão D´Oles” (249 votos). As posições seguintes foram ocupadas, respetivamente, pelos projetos “Desporto, Turismo e Aventura no Cabeço das Pedreiras (115), Parque Verde para Todos (74) e “Eu vou à Fonte do Castelo, e tu?” (28).

Tal como prometido, o nome do vencedor foi tornado público no dia 31 de outubro, no decorrer da inauguração da pista de Pumptrack, do Alqueidão da Serra, que venceu a primeira edição do Orçamento Participativo.

Nos discurso da “praxe”, João José Almeida, o proponente do projeto melhor classificado em 2019 fez «um agradecimento muito grande a todos os portomosenses que acolheram esta proposta e que permitiram de alguma forma concretizar um projeto que já há dois anos se tenta levar a cabo» explicando que na obra em causa – a construção de um ginásio – muito já foi feito mas com este orçamento participativo ainda não fica concluído mas é já uma grande, grande ajuda».

De acordo com o também coordenador da escola, o grande apoio «esteve na freguesia de Mira de Aire e na União de Freguesias de Alvados e Alcaria mas «houve votos de pessoas se não de todas as freguesias, pelo menos de grande parte delas» e isso aconteceu porque «é uma obra que realmente vai ao encontro daquilo que são os anseios das crianças e dos jovens porque não têm onde fazer educação física quando as condições atmosféricas são adversas».

O responsável deixou também palavras de incentivo e de elogio aos restantes cinco finalistas afirmando que, «de certeza absoluta conseguiram chamar a atenção de todo o executivo camarário para aquilo que consideram importante para as respetivas freguesias e que são projetos que vão ao encontro dos anseios da população». João José Almeida desafiou-os a que não desistam e «continuem a ser portomosenses de gema e sempre com voz ativa». Aos elementos da Câmara agradeceu pela iniciativa «porque só assim é que conseguem dar voz àquilo que são os nossos anseios».
Jorge Vala, presidente da Câmara disse que com a inauguração do projeto vencedor de 2018 e a revelação do primeiro classificado de 2019 «fecha-se aqui uma porta e abre-se agora uma nova até 31 de outubro de 2020 altura em que será inaugurada a proposta deste ano». «Vamos já iniciar um processo de alteração ao regulamento, ajustar algumas coisas para as quais fomos sendo chamados à atenção e que podem não estar tão bem. O Orçamento Participativo vai com toda a certeza continuar e no futuro aquilo que pode acontecer é ser reforçado em termos de verbas. Nunca andaremos para trás porque queremos que os cidadãos afirmem as suas ideias e criem através dele dinâmicas próprias» afirmou o autarca reconhecendo que os elementos da Câmara conhecem em geral os interesses da população mas não em termos particulares e por isso «é salutar que apareçam estes projetos, que são sempre bem acolhidos pelo Municicípio».

«O projeto que ganhou este ano vai ser abraçado. Temos alguma burocracia pela frente, vamos tratar dela ainda este ano para que em 2020, logo no início, possamos lançar os concursos e avançar com a obra que é importante para as crianças que frequentam a escola mas que tal como diz o regulamento, a concretizar-se, será também para a população de Mira de Aire, seja jovem ou não», lembrou.

Abertura à comunidade será numa segunda fase

No final, O Portomosense falou com João José Almeida e com Jorge Cardoso, outro dos grandes mentores do projeto vencedor para saber mais pormenores sobre o mesmo. De acordo com o texto de apresentação disponibilizado na página do Orçamento Participativo, na internet, será feita a «construção da envolvente exterior a um Ginásio com paredes de alvenaria até à altura de 3,4 metros entre os pilares da estrutura metálica existente e o revestimento exterior, dessa mesma estrutura, em painel sandwich pré-lacado a branco, desde as paredes de alvenaria até à cobertura, de modo a ter o ginásio fechado». Segundo o responsável mesmo com esta intervenção não vai ser possível concluir a obra. «Será fechado o pavilhão para que ali possam decorrer aulas de educação física e provas desportivas mas ainda ficará a faltar toda a parte eléctrica e de equipamentos. Um dia, mais tarde, também terá de ser feito um piso mais adequado porque este é de cimento, mas se chegámos até aqui, que foi o mais difícil, também conseguiremos acabar a obra nos próximos anos», afirmou.

João José Almeida garante que o espaço é mesmo para abrir à comunidade «mas há ainda pormenores a discutir com a Câmara, nomeadamente, a questão da segurança porque se de dia esse problema não se levanta uma vez que é feita pelos funcionários da escola, à noite as coisas complicam-se e tem de haver alguém a vigiar para que nada seja estragado». Para já, numa primeira fase o que está previsto é que o espaço possa ser usado livremente «por todas as escolas públicas e não públicas da freguesia de Mira de Aire e União de Freguesias de Alvados e Alcaria». Numa fase posterior será analisada a forma como poderá ser aberta à comunidade local. Uma das hipóteses é, num primeiro momento, os pais serem chamados a dar uma ajuda.

Questionado se apesar da satisfação pela vitória não sente alguma frustração por só através do orçamento participativo conseguir resolver uma parte importante de um problema que se arrasta há muitos anos, João José Almeida diz que «é gratificante chegar aqui» mas reconhece que «o sistema falhou porque esta é uma obra que o Ministério da Educação já devia ter feito há muito tempo mas que tem sido sucessivamente adiada», até que a comunidade escolar se cansou e resolveu lançar, literalmente, mãos à obra. Pela sua parte, já anda nesta luta desde 2000 mas considera que o esforço tem valido a pena porque não faz sentido que os miúdos não tenham onde praticar educação física na escola quando isso é uma componente do currículo.

Jorge Cardoso, professor e arquiteto responsável pela obra adianta que o ginásio ficará preparado também para acolher «diversas modalidades que clubes ou outras associações queiram praticar». «O projeto, nesta fase, está orçamentado em 75 mil euros mas ainda faltam entre 30 a 40 mil para o completar. No final, estaremos a falar de um investimento total de cerca de 200 mil euros».