A resolução do Conselho de Ministros é de 25 de outubro de 2018 mas só agora foi publicada em Diário da República: O Governo aprovou o “Projeto de valorização do património geológico do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros” (PNSAC), «uma ação há muito identificada como necessária pela Associação de Desenvolvimento das Serras de Aire e Candeeiros (ADSAICA)» entidade que integra os municípios de Porto de Mós, Alcobaça, Alcanena, Ourém, Rio Maior, Torres Novas e Santarém.

O projeto a desenvolver, ao longo de três anos, pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) com a ADSAICA, “tem como objetivo distintivo a revitalização dos Geossítios (lugares de interesse particular para o estudo da geologia) através de medidas de geoconservação que possibilitem a visitação, sem danificar o singular património natural presente no território». De acordo com o teor da resolução governamental, “outro grande foco deste projeto será ao nível da sensibilização, informação, e divulgação dos geossítios, pelo que, paralelamente, serão produzidos materiais e encontrados os equipamentos necessários que permitam uma comunicação moderna e uma interpretação acessível a todos os visitantes, sejam eles da comunidade escolar, científica ou apenas curiosos».

E de que geossítios falamos, quando pensamos no PNSAC? Bem, o roteiro do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros identifica 78 mas neste caso, daquilo que se sabe, pelo que já foi revelado pelo atual presidente da ADSAICA, o presidente da Câmara de Porto de Mós, e pelos dados que constam desta resolução, os principais alvos de atenção serão o Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, a Jazida com Pegadas de Dinossáurios de Vale de Meios e a Jazida de Equinodermes do Cabeço da Ladeira, vulgarmente conhecida pelos portomosenses, como Praia Jurássica de São Bento (ou de Porto de Mós) que, além da sua «relevância científica de âmbito nacional e internacional, são locais de grande visitação formal e não formal».

Das medidas de requalificação e implementação das jazidas e área envolvente consta o levantamento das mesmas com recurso à tecnologia 3D, a colocação de painéis informativos e a criação de percursos interpretativos. Ao nível da sensibilização ambiental, informação e divulgação dos geossítios o projeto prevê a conceção e elaboração de exposição permanente para o Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, bem como a elaboração duma aplicação interativa tipo áudio guia. A resolução aprovada refere, ainda, neste ponto a realização de um documentário de apoio nos centros de interpretação.

O projeto de valorização do património geológico do PNSAC integra a terceira geração de projetos elaborados para as oito áreas da Rede Nacional de Áreas Protegidas que visam a valorização e conservação dos habitats nelas presentes bem como a prevenção estrutural contra incêndios, daí que o projeto contemple ainda medida de conservação de habitats naturais como redução da densidade em povoamentos jovens de pinheiro manso e aproveitamento de regeneração natural de azinheira e medronheiro. Em termos de prevenção estrutural está prevista a execução e manutenção da rede secundária de faixas de gestão de combustível e instalação de mosaico de parcelas de gestão de combustíveis em áreas sensíveis. Por último, é contemplada a contratação de uma equipa de sapadores florestais constituída por cinco elementos.

Para a concretização deste projeto está previsto um investimento de 830 mil euros divididos por três anos (no primeiro ano, 450 mil, no segundo, 210 mil e no terceiro, 230 000 euros). As fontes de financiamento previsto são o POSEUR, Fundo Ambiental, o Programa Valorizar, do Turismo de Portugal, e a própria ADSAICA.

ISIDRO BENTO | texto