O homem que, em abril do ano passado, matou a companheira no Juncal, foi no passado dia 3 condenado a 22 anos de prisão. O indivíduo de 59 anos foi acusado de homicídio qualificado, tendo sido considerado pelo coletivo de juízes que «planeou a morte da companheira», com quem vivia há cerca de uma década.

O arguido esfaqueou a mulher, pela hora de almoço, tendo simulado um assalto para afastar suspeitas e voltado ao trabalho. Regressou a casa por volta das 17h30 e «fingiu grande surpresa» perante a morte da companheira. O relatório da autópsia, citado durante o julgamento, dá conta da presença de «lesões defensivas» na vítima.

Para o coletivo de juízes, a conduta do arguido foi «perversa, altamente censurável e demonstra total desrespeito pelos valores morais que regem uma vida em sociedade. Planeou tudo meticulosamente e nunca voltou atrás, como ter chamado a ambulância para socorrer a mulher quando ainda estava viva», refere a agência Lusa.

No despacho de acusação pode ler-se que, à hora de almoço, a vítima foi surpreendida pela presença do companheiro e «perguntou-lhe porque é que ele estava em casa àquela hora, ao que o arguido lhe disse que não se sentia bem e por isso tinha ido a casa almoçar». A mulher dirigiu-se à cozinha para almoçar, «o arguido colocou umas luvas de borracha e agarrou numa faca de cozinha com cerca de 25 centímetros de comprimento. Encontrando-se a ofendida de costas, abeirou-se daquela por trás» e degolou-a. A mulher foi depois esfaqueada noutras partes do corpo.

O homicida foi detido após a realização das cerimónias fúnebres. A vítima, Maria de Lurdes Vieira, era pintora numa fábrica de cerâmica situada próximo da sua habitação, e tinha ido trabalhar no período da manhã, tendo ido almoçar a casa,