Nos dias 11 e 12 de maio, a vila do Juncal regressou aos anos 50/60 do século XX para contar aos mais novos como foi viver nesse tempo e, ao mesmo tempo, ajudar as coletividades e grupos organizados da freguesia a angariar verbas para reforçar os seus orçamentos.
A iniciativa teve boa adesão por parte dos juncalenses e do lado da organização muita gente trabalhou para que fosse um sucesso.

O centro da vila encheu-se de vida e animação com visitantes de vários pontos do concelho e da região, mas também com aqueles que, vestidos a rigor, procuraram recriar profissões, jogos populares, instituições locais e momentos importantes na vida da comunidade juncalense há mais de 60 anos.

Resineiros, madeireiros, ferreiros e taberneiros (só para citar alguns) montaram os seus espaços ao longo da rua e aí ficaram a trabalhar ao vivo, juntando-se-lhe artesãos de várias artes. O espaço apesar de não ser muito grande foi o suficiente para servir de mostra a uma exposição sobre a famosa louça do Juncal e a uma outra com trabalhos feitos pelas jovens que há 60 e mais anos frequentavam o chamado “Patronato” e aí aprendiam, entre outras coisas, a bordar e costurar. Ali perto, num estábulo improvisado, vários animais remetiam os visitantes para um passado comum a todo o concelho em que quase todas as famílias criavam ovelhas ou cabras, tinham galinhas e coelhos, e não passavam sem a ajuda dos burros.

Nas tasquinhas provavam-se os mais diversos pitéus e na mercearia e taberna improvisada, até morcela havia para venda. Pelo meio, a recriação de uma sala de aula, pintores de faiança e azulejo a mostrarem a sua arte, e uma outra exposição dos bólides de há 60 anos, as bicicletas. E por falar em bicicletas, neste Conta-me como foi promovido pelo grupo Juncal Solidário em parceria com a Junta de Freguesia do Juncal houve um passeio de bicicletas antigas e um outro de carros também já com muitos anos porque “recordar é viver” e uns e outros ainda estão aí para as curvas (nem que seja apenas em dias festivos…).

Festa que é festa tem sempre música, bebida e comida e, neste caso, qualquer um dos três elementos esteve bem presente neste convívio popular. E porque o barro é algo bem presente na história da freguesia e as preocupações ambientais recomendam a redução dos resíduos plásticos, as bebidas foram servidas em canecas de barro mandadas fazer propositadamente para estes dois dias em que o Juncal regressou ao passado.

Todas as entidades e grupos que disseram “sim” ao desafio, trabalharam de mãos dadas para que cada uma pudesse apresentar algo que não fosse exatamente igual ao do seu vizinho do lado mas enriquecesse o certame em termos de oferta de produtos e como mostra em si. No final, cada qual ficou com as verbas que angariou e que são, como se disse, mais uma ajuda para poderem desenvolver a sua atividade ao longo do ano.