Arranca amanhã, sexta-feira, 15, a segunda edição do Juncal Jazz – Festival de Jazz do Juncal, iniciativa promovida pela União Recreativa Desportiva Juncalense (URDJ).
Ao longo de quatro sessões (duas por fim de semana), “promessas” do jazz nacional vão partilhar o palco, com nomes consagrados como César Cardoso e Mário Delgado.

Em declarações ao nosso jornal, Paulo Sousa, que divide com Pedro Santos a direção artística do Juncal Jazz, explica que o festival foi criado com o objetivo de promover este género musical junto da população proporcionando-lhe uma experiência que, para muitas pessoas, se não é inédita, será pouco habitual. Visa, ainda, atrair visitantes e, acima de tudo, alargar a oferta cultural do concelho. «Queremos que seja um festival de referência no município e na região e o nosso posicionamento tem a ver com isso. Escolhemos um período em que não há festivais para não fazermos concorrência à oferta que já existe. Somos assumidamente um festival de inverno», sublinha.

Este ano, a nível artístico, e na linha daquilo que já foi feito no primeiro ano, a intenção é «ter malta com “rodagem” e qualidade e dar a oportunidade a bandas recentes que ainda não tenham aparecido muito, de partilhar o palco com nomes conhecidos». Em suma, a intenção não é ter um festival de topo a nível nacional, até porque não há orçamento nem vontade para isso, mas sim «um festival “honesto” e com qualidade que dê oportunidade aos mais novos para se mostrarem e que consiga atrair músicos já com carreira firmada».

Tendo em conta a experiência inicial, o responsável mostra-se ótimista em relação a esta segunda edição. “No ano passado, o feedback foi ótimo, tivemos sempre casa cheia e as coisas correram muito bem, de modo de que, o nosso objetivo é seguir na mesma linha e manter o sucesso conquistado», frisa.

Numa terra e num concelho sem grande tradição em termos de espetáculos de jazz poder-se-ia pensar que a equipa da URDJ teria um desafio acrescido para, primeiro, pôr de pé o festival, e depois, juntar público suficiente para que a iniciativa pudesse ser considerada um êxito, no entanto, Paulo Sousa, com base na experiência do primeiro ano, desmistifica essa ideia sublinhando que «as pessoas estão sensíveis a experiências diferentes e quando aparece algo novo, querem experimentar e o que interessa é haver oferta porque é esta que gera a procura». O ter criado uma oferta nova, de qualidade, é na sua perspetiva, uma das razões em que assenta o sucesso deste festival: “O público está aberto a ouvir muitos géneros musicais com qualidade, o jazz não é o único. Portanto, se houver a possibilidade de ouvir música ao vivo (algo que é completamente diferente de ouvir em casa através de uma coluna de som) as pessoas aparecem».
E de onde chega toda essa gente que em quatro noites de festival mantém sempre cheia a sala que acolhe o Juncal Jazz? Paulo Sousa reconhece não saber em concreto. «Vejo caras do Juncal e de fora, algumas encontro-as também nos festivais da Marinha Grande, Caldas da Rainha e Valado dos Frades, mas não sei de onde são». Certo, certo, é que o festival está a atrair gente ao concelho e isso é algo que deixa a equipa satisfeita.

Organizar um evento desta natureza e dimensão «é trabalhoso, mas nada do outro mundo e com as pessoas que se têm juntado e o apoio que tem havido das várias direções, tem sido um desafio interessante que vale pela reação do público», realça o responsável.

Nesta segunda edição há duas novidades principais e ambas o deixam bastante satisfeito. A primeira é a estreia de «um novo espaço cheio de personalidade, forrado das paredes ao teto com tecido preto, e ao qual foi dado o nome de black-box do jazz. A segunda é a realização de um concerto didático no Instituto Educativo do Juncal, protagonizado pelo quarteto do portomosense César Cardoso que irá mostrar aos alunos algumas das vertentes do jazz. «Tivemos um ótimo feedback por parte da escola e os miúdos estão muito entusiasmados. É uma forma de chegar a um novo público», adianta.

«Se isto fosse uma iniciativa meramente comercial, decerto não levaríamos o jazz à escola, mas para nós a preocupação em termos financeiross cinge-se a pagar as despesas, porque o enfoque, aquilo que verdadeiramente nos move é a divulgação do jazz, a diversificação da oferta cultural e trazer mais gente ao concelho», conclui Paulo Sousa.