Foto: Jéssica Silva

Durante três dias, o Chão da Aberta, em Mira de Aire, acolheu largas centenas de pessoas que ali se deslocaram para participarem na 24.ª edição do festival Mata d’Aire. A edição deste ano ficou marcada por ter sido a primeira em que o carvalho, o poderoso ícone daquele lugar, não esteve erguido em toda a sua plenitude.

O festival bienal que começou com um grupo de amigos é visto, para muitos, como uma tradição que é cumprida religiosamente. Susana Pires, de Mira de Aire, é a prova viva dessa fidelidade. Presença assídua desde a primeira edição, Susana sublinha que, no seu caso, há todo «um sentimento em torno do evento» porque foi precisamente em 1995, ano de estreia do festival, que conheceu o marido.

Na companhia dos filhos, Tomás e Leonor, foi assim, que o O Portomosense a encontrou, na zona das atividades radicais. Susana Pires salienta que faz questão de levá-los sempre consigo e, normalmente, todos os dias do festival. «Em cada edição costumamos vir sempre espreitar o que há de novo», salienta.

Entre corridas e passeios pelo recinto do festival, Tomás Café, 10 anos, refere que a escalada, de todas as atividades, é a sua «favorita», apesar de também gostar muito de observar o que as diversas bancas oferecem. Quem partilha do mesmo gosto é a irmã, a pequena Leonor, de apenas cinco anos para quem a escalada é a «mais divertida». Apesar das várias tentativas, a menina não esconde alguma tristeza por não ter conseguido subir até ao topo, mas faz questão de dizer à mãe que daqui a dois anos há-de conseguir.

Joaquim Carvalho, de 82 anos, é outra das pessoas que vê a presença no Mata d’Aire como uma tradição. Quando questionado sobre o porquê de ir sempre, responde com um sorriso nos lábios: «Gosto de ver a juventude e parecer-me com eles». Além disso, e apesar do seu tempo se dividir entre Mira de Aire e Abrantes gosta «muito do convívio e das atividades», contudo, este ano, teve outro motivo mais: assitir a atuação de dança do seu neto.

Jéssica Moreira tem 26 anos, vive em Casal da Vieira e apesar da proximidade ao festival é, apenas, a segunda vez que lá se desloca. Sobre a razão por ser quase como uma “principiante” no festival, Jéssica Moreira sublinha que «sempre estudou fora» e atualmente também não trabalha no concelho e por isso sempre foi díficil coinciliar os fins de semana. No entanto, pelo que viu ficou com uma boa impressão e salientou o «ambiente relaxado» que lá sentiu.

Mas como não só de portugueses se faz o festival Mata d’Aire também há espaço para festivaleiros de outras nacionalidades. Exemplo disso é Sarait Leal, de 29 anos, venezuelana mas a viver há dois anos em Mira de Aire. É a segunda vez que marca presença no festival e confessa que decidiu voltar porque «gostou muito» e que «está melhor que há dois anos».

Quem a acompanha é Carolina Romero, 30 anos, também venezuelana. Para esta jovem foi a primeira vez que marcou presença no Mata d’Aire. A curiosidade surgiu depois de ouvir uma colega de trabalho falar do evento.

Após meses de intenso trabalho que culminaram nestes dias e apesar de algum receio tendo em conta o implementar de algumas novidades, João Diogo, o presidente da MataJovem, associação organizadora do evento, faz um balanço positivo dizendo que esta «edição superou as expetativas».

O primeiro dia do festival ficou marcado pelas condições atmosféricas adversas que poderiam ter posto em causa a realização do evento. João Diogo confessa que, se viveram momentos de grande angústia, em que a «sofrimento, choro e lamentações», no entanto, o tempo acabou por se recompor e tudo se desenrolou da melhor forma.

Entre atividades radicais, momentos musicais, workshops e muitas outras ofertas, foi assim que terminou mais uma edição do festival Mata d’Aire. João Diogo confessa que a direção da associação tem o sentimento de dever cumprido e deixa o futuro em aberto: «Nós lançámos as sementes e agora é a vez das proximas gerações conseguirem agarrá-las». JÉSSICA SILVA | texto e foto