Participaram 13 atletas, entre os quais a única mulher federada (Foto: Isidro Bento)

Integrado na Feira de Saúde e Bem-Estar, realizou-se no passado dia 6, o 2º Troféu de Paraciclismo Porto de Mós, numa iniciativa conjunta do Município, Federação Portuguesa de Ciclismo e Associação de Ciclismo de Santarém.
A prova contou com a participação de 13 dos melhores atletas nacionais na modalidade, entre eles, Manuel Ferreira, o atual campeão nacional de paraciclismo, e Filomena Oliveira, a única senhora praticante da modalidade a nível federado.

Neste regresso a Porto de Mós, os atletas voltaram a enfrentar o mau tempo mas, em comparação com a primeira edição realizada também no âmbito da Feira de Saúde e Bem-Estar, as condições metereológicas foram um pouco mais favoráveis, e a prova em si decorreu sem problemas de maior.

Em bicicleta ou handbike, atletas com diferentes tipos de deficiência percorreram o circuito delineado entre a Avenida da Igreja e a zona das Piscinas Municipais e fizeram-no sempre a uma velocidade que impressionou todos os que não estão familiarizados com esta modalidade desportiva. O público, embora não muito numeroso, apoiou sempre os participantes com palavras de estímulo e nunca arredou pé apesar dos chuviscos ocasionais, e quase todos expressavam a sua admiração e o respeito pela forma como atletas com diversos tipos de deficiência estavam em pista em busca da melhor classificação.

Quem também não deixou de dar o seu apoio foi o presidente da Câmara, Jorge Vala, e os vereadores, Eduardo Amaral e Telma Cruz, que fizeram questão de estar presentes aquando do arranque da prova. Jorge Vala dirigiu mesmo algumas palavras de saudação e de boas-vindas, fazendo votos para que fosse um bom regresso a Porto de Mós e que o troféu lhes corresse de feição. O autarca enalteceu o esforço e a dedicação de pessoas que apesar da sua deficiência, lutam como outro atleta qualquer por um lugar no pódio e são um exemplo de preservança para todos, palavras reforçadas também por Carlos Vieira, o conhecido ciclista de Leiria, tri-recordista mundial de resistência em bicicleta, que foi convidado a dar a partida, tendo a seu lado, Marco Martins, o jovem portomosense que, segundo o selecionador nacional de paraciclismo em declarações publicadas na nossa última edição, «foi o causador da prova ter vindo para Porto de Mós dado que foi ele que pressionou nesse sentido a Câmara, assim como a Federação».
Mais tarde, Carlos Vieira, à conversa com O Portomosense, disse ser a primeira vez a que assistia ao vivo a este tipo de prova, confessando-se verdadeiramente surpreendido e até algo emocionado pela forma «empenhada e profissional» com que os paraciclistas mostravam em pista «um querer imenso, a luta pela superação das dificuldades e um nível competitivo fora de série», no seu entender, «verdadeiros exemplos para a sociedade», não só por isso, mas também para que se acabe com a ideia de que o cidadão portador de deficiência tem menos capacidades que outro dito saudável. «Desde que tenham as ferramentas adequadas podem fazer tudo como qualquer outra pessoa», frisou. Para que esta mensagem vá passando e também para que mais pessoas portadoras de deficiência saibam que há cada vez mais desportos adaptados que podem praticar, Carlos Vieira, enquanto promotor de uma prova de ciclismo em Leiria, garantiu ao nosso jornal que tudo fará para que o paraciclismo chegue também à cidade do Lis, já no próximo ano, associando-o precisamente a essa competiçao que organiza há vários anos.

ISIDRO BENTO | texto e foto