Foto: Armindo Vieira

O Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC) encontra-se a comemorar os 40 anos da sua criação, que ocorreu no dia 4 de maio de 1979, cujo programa comemorativo foi apresentado na sua sede, em Rio Maior, no passado dia 4 de maio.

Criado pelo Decreto-Lei n.º 118/79, o PNSAC ocupa terrenos dos concelhos de Alcanena, Alcobaça, Ourém, Porto de Mós, Rio Maior, Santarém e Torres Novas, visando fundamentalmente, dentro dos limites da sua área, «a proteção dos aspetos naturais existentes, a defesa do património arquitetónico e cultural, o desenvolvimento das atividades artesanais e a renovação da economia local, bem como a promoção do repouso e do recreio ao ar livre», lê-se no documento respetivo.

Do programa da comemoração do aniversário deste espaço da natureza, que termina em 15 de novembro deste ano, foi levada a efeito no passado dia 8, no Centro de Interpretação das Serras de Aire e Candeeiros (CISAC), em Porto de Mós, uma conferência subordinada ao tema Património Cultural do PNSAC – Memória de uma identidade que nos une, com a participação de diversos oradores.

Eventos em vários locais

Abriu a sessão a diretora do Departamento de Conservação da Natureza e das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo, Maria de Jesus Fernandes, que começou por referir que «40 anos é muito tempo e para uma instituição, com uma área protegida, é já um tempo razoável», o que permite «começar a fazer história e começar a criar dinâmicas próprias e, ao mesmo tempo, avaliar os resultados dessa mesma classificação».
A responsável apontou a necessidade de se refletir «para fazer sentir um pouco mais do que foi feito nestes 40 anos e o que vai ser o futuro», razão por que, em conjunto com os autarcas da área do PNSAC, se decidiu «fazer diversas sessões com debates sobre diversas áreas e temas», como este que «reflete os aspetos da identidade cultural e daquilo que é a relação entre o homem e este território e as consequências que isso tem».

Interlocutor precisa-se

Também o presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, Jorge Vala, participou na abertura da sessão e lembrou que aquando da criação do PNSAC, «as coisas não começaram da melhor forma» porque na altura «nem sempre se pensou que havia população e muito menos com vontade de ficar, de construir o seu património, de evoluir e de fazer o melhor por esta região».

Depois de referir que o Parque Natural abrange sete municípios com as suas diversidades, o autarca disse que «o que os liga são as pessoas e, por isso, é necessário que da parte do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) se entenda que os autarcas que representam as suas populações têm que ter como interlocutor quem os perceba, os entenda e leia as suas mensagens», e também quem «acolha as propostas e os desafios, que por vezes são importantes sob o ponto de vista dos territórios e das comunidades, e é necessário serem entendidos para serem colocados no terreno».

Temas com interesse

O desenvolvimento dos diversos temas propostos começou com a arqueóloga Filipa Rodrigues, que dissertou sobre o tema Pré-história no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, partindo da Carta Arqueológica do PNSAC, publicada há 28 anos, colocou em perspetiva «o conhecimento atual sobre as ocupações pré-históricas do Maciço Calcário Estremenho».

Ventos de Roma no Maciço Calcário Estremenho foi o tema defendido pelo arqueólogo Jorge Figueiredo que, a dado passo, referiu que «em época romana, os vales agricultáveis no Maciço Calcário Estremenho, ganham preponderância como locais de implantação», e aponta o caso dos Moinhos de Vento de Alvados, ocupações ao longo do Lena, e outras estações da área.

A antropóloga Ana Saraiva, apresentou o tema Calcários do PNSAC, referentes identitários de um território em mudança: Um olhar antropológico, que ao «pensar o calcário convida a pensar-se no PNSAC, expresso nas suas manifestações naturais e culturais».

Ana Rita Leitão, folclorista, veio ao CISAC defender o tema Salvaguarda das Danças Tradicionais e Populares Portuguesas, “o projeto-piloto de Porto de Mós” que visa «salvaguardar e divulgar de forma ativa o uso das danças tradicionais portuguesas na comunidade», dando assim «um contributo para a identidade cultural e defesa do património artístico português».

Houve tempo ainda para se falar do Jazzminde – um Festival em Terra de Músicos e de Mira Minde – um Futuro pós-industrial.

Todos os temas foram seguidos com muito interesse pelos presentes, que enchiam o auditório do CISAC.
A moderação da conferência e dos debates foi da responsabilidade de Maria de Jesus Fernandes e de Edgar Lameiras, da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, do Instituto Politécnico de Leiria.