De 13 a 17 de março, mais de 70 mil pessoas passaram pela Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), o maior certame nacional de turismo. De acordo com dados divulgados pela organização, esta edição, contou com 34 389 visitantes profissionais e 35 933 foram público geral.

Como já vem sendo hábito, Porto de Mós esteve representado a nível institucional e empresarial. Assim, o Município integrou o stand da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL), e marcou presença no da Entidade Turismo Centro de Portugal por via do balcão que a comunidade intermunicipal ali tinha instalado.
Este ano, e no âmbito da candidatura ao concurso “7 Maravilhas Doces de Portugal”, a Câmara aproveitou o certame para dar a conhecer alguns dos principais doces locais. A iniciativa teve lugar num dos dias dedicados a profissionais do setor e foram muitos os que quiseram provar as iguarias concelhias.

A par da presença institucional municipal, voltaram a participar, três unidades hoteleiras do concelho: Grutas de Mira de Aire, restaurante Dom Abade, e Cooking Nature Emotional Hotel.
À conversa com O Portomosense, o diretor das Grutas, Nuno Jorge, faz um balanço positivo de mais uma presença na BTL. «Penso que houve uma diminuição ligeira do número de visitantes, principalmente dos não profissionais, mas em contrapartida o certame em si registou maior qualidade. Tivemos, por exemplo, menos reuniões com profissionais do setor, mas mais ricas em termos qualitativos», refere.

Registando como positivas «as melhorias tanto em termos do sistema de entradas, como na plataforma que permite aos profissionais agendarem reuniões de trabalho com os expositores», Nuno Jorge realça, contudo, uma tendência crescente e que, no seu entender, poderá estar a desviar o foco do produto turístico em si: «As câmaras e outras entidades estão a aproveitar a BTL para apresentar iniciativas e projetos locais nem sempre ligados ao turismo, e muitas vezes acabam por parecer mais eventos de políticos para políticos, não conseguindo atrair grandemente a atenção dos profissionais e, muito menos, do público em geral», diz. Assim, para Nuno Jorge é importante que as atenções se centrem cada vez mais no turismo e no potencial de cada região, e de cada concelho, porque, afinal, «é esta a razão de ser da BTL».

Célia Volante, da gerência do Dom Abade, mostra-se também satisfeita pela participação do seu restaurante na BTL, feira que considera de «enorme importância» para o setor.
A responsável afirma que «é sempre positivo participar num evento desta dimensão», no entanto, sublinha que só «um ano depois é que possível perceber se houve retorno, já que nesta área os resultados não são imediatos».

«Cumprimos os nosso objetivos, tendo reunido com os operadores turísticos com quem nos interessava falar, mas os frutos desse trabalho, em termos financeiros, só serão visíveis daqui a um ano ou mais, e aí, sim, podemos dizer se valeu a pena ou não», frisa.

Embora o principal foco do Dom Abade na BTL sejam os profissionais do setor hoteleiro, a gerente reconhece, contudo, que participar num evento desta dimensão «traz mais visibilidade ao restaurante junto do público não profissional» e que é com grande prazer que acolhe no seu espaço, não só os visitantes anónimos mas «clientes que fazem questão de passar só para cumprimentar».

Em relação à presença institucional de Porto de Mós, Célia Volante considera que «é uma pena o município ainda não estar a aproveitar devidamente a sua presença no stand do Turismo Centro Portugal para se projetar enquanto destino turístico, em especial junto dos estrangeiros, como outros o fazem». Para a empresária, pode-se falar mesmo de «oportunidade perdida».
«Porto de Mós tem uma oferta rica e variada capaz de atrair muito mais gente que aquela que chega diariamente mas para isso tem de se promover a nível internacional e a BTL é um lugar excelente para o fazer», defende. Assim, no seu entender, «ações como a da promoção dos doces do concelho são importantes e esta, em particular estava bem organizada, contou com muitos espectadores, e quem deu a cara pelo concelho fê-lo com grande brio mas temos de ir mais longe, abarcar outras áreas e promovermo-nos junto de operadores turísticos estrangeiros», sublinha, não se colocando, contudo, fora da equação.

«Nós, os operadores turístico, também temos obrigações a este nível e não podemos queixar-nos de que não se faz nada e depois quando se faz, não dizermos presente», afirmou dando como exemplo o Festival do Cabrito e do Borrego, no seu entender «uma excelente iniciativa da parte do Município mas que até há poucos dias não registava por parte dos restaurantes a adesão que seria de esperar».

Rui Anastácio, do hotel Cooking Nature, considera que a BTL, este ano, «teve mais dinâmica e oferta e uma maior diversidade», no entanto, isso não o impede de tecer críticas ao certame. «Nós participamos essencialmente numa perspetiva de contacto com os operadores e a esse nível a BTL tem-se vindo a degradar mas isso tem a ver com aspetos organizativos e com uma má gestão das agendas, portanto, são questões mais técnicas que não se prendem propriamente com o público», adianta o empresário.
«Para nós, enquanto unidades hoteleiras é mau que as coisas estejam mal organizadas mas a feira enquanto tal tem crescido e parece-me até bastante dinâmica», concluiu.

Isidro Bento | texto e fotos