A presidente da AM abriu a sessão (foto: Arnindo Vieira)

A sessão solene, realizada no âmbito das comemorações do 25 de Abril, encerrou com “chave de ouro”. Aguardada com grande expectativa, foi proferida uma palestra subordinada ao tema Reinventar o Serviço Nacional de Saúde, em que foi palestrante Manuel Antunes, doutorado em Cirurgia Cardiotorácica e Catedrático Jubilado da Universidade de Coimbra.

O clínico chefiou, a partir de março de 1988, o serviço de cirurgia cardiotorácica dos Hospitais da Universidade de Coimbra, cujo serviço se afirmou nas áreas de transplantação cardíaca e da reparação da válvula mitral, eliminando a listas de espera para aqueles serviços. A equipa de Manuel Antunes, durante 30 anos, foi responsável por 45 mil cirurgias cardíacas e pulmonares e 358 transplantes cardíacos.

Na sua intervenção, Manuel Antunes começou por explicar que dada a sua «orientação clínica», seria natural que escolhesse o tema Serviço Nacional de Saúde (SNS), considerada como «uma das grandes conquistas do 25 de Abril», para esta dissertação e nesse sentido aproveitou para homenagear António Arnaut «fundador do Serviço Nacional de Saúde».

Para o cirurgião, o sistema de saúde português em geral, e o SNS em particular, «têm estado debaixo de fogo pela sua clara incapacidade de prestar ao cidadão em tempo útil, os cuidados de saúde adequados de que é reflexo evidente, a existência de longas listas de espera para consultas e cirurgias».

Contudo, para se discutir os problemas de saúde «há a considerar três vertentes fundamentais: a social, o investimento e a produção», refere Manuel Antunes.

Em relação à vertente social, adianta que «todo o cidadão tem direito à utilização dos serviços de saúde, não devendo o seu estado de riqueza ser condição importante no acesso a eles». Sobre a vertente investimento explica que «a despesa com a saúde é investimento fundamental no capital humano da sociedade», pois «uma população saudável induz o crescimento e desenvolvimento da sociedade». Por último e sobre a vertente produção, o catedrático avança que «o bem saúde não é um bem de consumo livre, pelo contrário é um bem económico e cada vez mais caro», razão porque sendo os recursos financeiros limitados, «interessa usar os meios humanos e materiais da forma mais eficiente possível, de modo a maximizar a produção para disponibilizar ao cidadão a máxima quantidade e qualidade de serviços de saúde».

Depois de referir que estas vertentes são «indissociáveis, porque os problemas de saúde têm um impacto muito grande no desenvolvimento social», Manuel Antunes revelou que ao analisar-se o estado atual da saúde no nosso país, «a melhoria das condições de vida dos cidadãos», assim como, «o envelhecimento progressivo da população, têm originado um desmesurado aumento da procura dos serviços de saúde».

Durante toda a sua dissertação, o clínico teceu diversas considerações sobre a situação dos serviços de saúde em Portugal e concluiu, dizendo que «os problemas da saúde cruzam transversalmente todos os setores da sociedade», uma vez que «para se desenvolver, a sociedade necessita de ser saudável», por isso tudo o que respeita à promoção de saúde e ao tratamento da doença, «tem que ser considerado um investimento social, aliás um dos objetivos do 25 de abril», sublinhou.