Um mundo feito de pessoas

by | 22 Jun 2019

Está à porta mais uma edição das Festas de São Pedro. Durante 10 dias, centenas de pessoas vão trabalhar, a custo zero, “dando o litro”, para conseguir angariar o máximo de dinheiro possível para a associação da sua terra ou para o clube onde joga o seu filho. Estas Festas e sobretudo as tasquinhas são, como já se sabe, o balão de oxigénio da maior parte das associações do concelho. É a estes 10 dias de trabalho árduo que vão buscar o sustento para as atividades que realizam em prol da sua comunidade, para as obras de melhoria em edifícios da coletividade… Estas são, sem dúvida, também as festas das comunidades que aqui se juntam, se não a trabalhar, a consumir nas tasquinhas para, de alguma forma, contribuírem e ajudarem.
Sabemos que o associativismo é um mundo complexo, que hoje, com as aldeias a serem pouco mais do que dormitórios, é cada vez mais difícil mobilizar voluntários; mas é um mundo muito bonito. É bonito saber que um grupo de pessoas que, por vezes, pouco têm em comum e cujo dia-a-dia em nada se assemelha, depois têm a capacidade de se juntar em torno de uma causa comum, dar do seu tempo, do seu espaço e, tantas vezes, do seu dinheiro para a coisa pública.
E é isso que eu gosto de ver nas Festas. Não esquecendo os espetáculos, os artistas, as atividades desportivas (muitas também organizadas por voluntários e associações), as mil e uma coisas constantes do programa, o incrível são as pessoas – como em quase tudo na vida.
Nesta edição d’O Portomosense, é também de pessoas que falamos… Falamos das pessoas que angariaram fundos para restaurar o cruzeiro da Tojeirinha que tinha sido vandalizado; falamos das centenas de pessoas que se organizaram para fazer uma festa de final de ano diferente no Instituto Educativo do Juncal; falamos das pessoas que por via da sua profissão enquanto camionistas, se reuniram no nosso concelho; falamos das pessoas de Serro Ventoso que rumaram a Espanha para conhecer uma tradição tão parecida com a sua; falamos de dois milhares de crianças que durante três dias conheceram o Alqueidão da Serra e os seus costumes e ofícios… E, acima de tudo, falamos para pessoas, falamos para si que, fielmente, nos lê. E é em si que pensamos quando contamos estas histórias que vamos conhecendo, queremos partilhá-las consigo, mostrando, nem sempre o lado mais bonito, mas sobretudo o lado real e sempre que possível de vários ângulos.
Somos jornalistas, mas tal como quem nos lê, somos pessoas. E é de pessoas que o mundo é feito.