Foto: Jéssica Moás de Sá

Passava pouco das 11h30 quando, à redação de O Portomosense e da Rádio Dom Fuas, chegaram Uedison Júnior e Maria Clara Ribeiro. Não sabíamos ainda, mas estávamos a pouco tempo de descobrir que conheciam e admiravam o trabalho aqui desenvolvido. O casal está separado de Portugal pelo Atlântico, mas não permite que isso se torne uma barreira para descobrir o país. «Estamos aqui porque somos brasileiros, gostamos muito da Rádio Dom Fuas e ouvimos muito no Brasil», expressaram de sorrisos rasgados, assumindo terem feito um desvio só para nos cumprimentar. Depois de apresentada a redação, houve tempo para perceber o que os une a Portugal.

As vozes da Rádio Dom Fuas não são estranhas para este casal. A “culpa” é de Uedison Júnior, jornalista «apaixonado por comunicação e por Portugal». Foi através de uma «pesquisa por rádios locais» do país que começou a acompanhar a que agora afirma ser: «A nossa rádio». Uedison Júnior destaca «a variedade de música e os blocos de notícias abrangentes» como os pontos fortes.

Podiam receber a distinção de maiores fãs de Portugal. Conhecimento sobre o país não lhes falta e a paixão com que falam é reveladora. Ambos têm ascendência portuguesa, no entanto, pouco conhecem sobre os seus antepassados. «O meu avô era português mas não tenho informação sobre ele», explica Uedison Júnior. O pai do jornalista já faleceu e a mãe não tem contacto com a família do pai, da qual não sabem a origem exata. Do avô, conhece apenas o nome e é através dele que no futuro quer pesquisar mais sobre a sua linhagem. Maria Clara Ribeiro sabe que os seus bisavós eram do Algarve, mas não sabe exatamente de que cidade.

A emoção na voz e no olhar de Uedison Júnior quando fala da primeira vez que pisou solo português, em 2016, é visível. «Quando o conheci aos 16 anos ele já amava Portugal e queria vir cá», conta Maria Clara Ribeiro, referindo-se ao marido. Ambos choraram quando conseguiram cumprir este sonho. A primeira cidade que visitaram foi o Porto, local pelo qual se «apaixonaram» de imediato. Já visitaram várias localidades, mas quando questionados sobre as que mais gostaram, incluem Porto de Mós. «É uma vila cheia de charme», diz Uedison Júnior. Para conseguirem vir, confessam, «separam mês a mês algum dinheiro», porque a desvalorização da moeda brasileira (real) face ao euro dificulta as viagens.

Há dois aspetos que o casal destaca como positivos em Portugal: a segurança e a gastronomia. «A violência é uma coisa que infelizmente temos em abundância no Brasil», frisa Uedison Júnior, que apesar de reconhecer que os «portugueses são mais fechados à primeira vista», acredita que depois se revelam «tão ou mais alegres que os brasileiros e muito cordiais». Quanto à gastronomia, a expressão de Maria Clara Ribeiro diz tudo: «A comida, meu Deus!». Formada em gastronomia, confessa-se «apaixonada pela comida portuguesa», destacando «os peixes» e os «legumes», que têm «um gosto diferente, para melhor».

Viver em Portugal está «nos planos a longo prazo» do casal, que teme fazer esta mudança sem ter objetivos definidos. «Para vir para Portugal eu gostaria de acrescentar e não subtrair. Fazer alguma coisa pelos portugueses», salienta o brasileiro. Maria Clara Ribeiro confessa ainda que as «saudades da família» são um entrave a esta decisão. Confidenciaram sentir-se «as pessoas mais importantes do mundo» pela oportunidade de uma entrevista em Portugal e com emoção na voz disseram-se «muito felizes» por estarem no país.