Sim, todos os debates contam

23 Outubro 2025

Quando votamos conscientes do impacto, não ganha apenas o partido em que votamos, ganham todos

Adoro votar. Aos 18 anos, tirar a carta de condução foi o símbolo máximo da emancipação, admito, mas esteve “taco a taco” com as primeiras eleições em que votei (já lá vão 12 anos). Chegar à EB1 de Porto de Mós, apresentar o meu Cartão de Cidadão, ser-me entregue um boletim de voto e colocar a cruz em quem eu acredito que é a melhor opção para liderar o “meu” município, país, ou para me representar a nível europeu, é daqueles dias que uma menina/jovem não esquece. Assim é, acredito, para quem entende o “poder” que tem em mãos. Quando votamos conscientes do impacto, não ganha apenas o partido em que votamos, ganham todos, porque estar-se-á a votar com os propósitos certos: honrar a Democracia, querer contribuir para a evolução e crescimento do mundo em tantas esferas. Não há votos em partidos errados, assim encaro, porque isso seria ditar que a nossa verdade é a única certa. Há sim, e disso estou também cada vez mais certa, votos desinformados, votos que são o reflexo de vidas invisíveis, a quem ninguém tira da sombra e que, por isso, defendem quem lhes dá a mão pela primeira vez (ou parece dar). 

Depois deste contexto, foi com tristeza que este ano, por motivos pessoais, não votei. Em extremo oposto, foi com agrado que, mais uma vez, de forma próxima, acompanhei a vida política do concelho. Este trabalho permite-nos isso, estar perto, conhecer as propostas e os candidatos que lhes dão vida. Nestas semanas trabalha-se muito e, como acreditamos que é para os candidatos e para quem gere as campanhas, meses e dias de azáfama, também para nós o é. Ainda assim, no meio de tanta coisa, há uma ideia, uma questão levantada num dos debates promovidos pel’O Portomosense, que não me sai da cabeça: O que estamos aqui a fazer, se somos apenas um órgão de fiscalização? A questão foi levantada no debate com os candidatos da Assembleia Municipal (AM) e a resposta, essa, acho que deveria ser mais do que óbvia: porque não podemos eleger ninguém, ser a jovem a colocar a cruz pela primeira vez num boletim de voto, que não conhecemos, seja para que órgão autárquico for. Um presidente de uma AM tem princípios, valores, ideias para este órgão e são esses mesmos princípios, valores e ideias que nos levam a uma mesa de voto. E qualquer candidato deve ter isto em mente. 

Quanto a mim, em janeiro, nas Eleições Presidenciais, espero estar lá a exercer o meu direito e dever. Mas só depois de conhecer quem me quer representar.