“É tudo uma questão de perspetiva” , diz o ditado e o ditado cai que “nem uma luva” numa das estórias que contamos nesta edição. Não vamos desvendar tudo, preferimos apenas aguçar a vontade (para ler a estória completa na página 19), mas aqui vai um resumo: Tiago Martins (o protagonista) – amante de relíquias antigas – passeava pela Feira de Velharias de Porto de Mós e nesse passeio deu de caras com um livro sobre uma basílica na Índia que foi construída por portugueses . O destino quis que este livro, comprado por apenas um euro, fosse parar às mãos de alguém que viaja frequentemente para a Índia e que acabou por o doar à referida basílica.
Então, voltemos ao início: “É tudo uma questão de perspetiva”. Aquele que poderia ser mais um livro sem grande significado para muitos, foi para Tiago Martins uma relíquia de valor inestimável. E não falamos de dinheiro, aliás, falamos tudo menos de dinheiro. Também o foi para a basílica que, tem agora no seu espólio, um documento que lhe dá sentido, que aprofunda o conhecimento e a memória daquele espaço.
A importância que damos às coisas depende, sempre, da nossa perspetiva, do nosso contexto, da forma como olhamos o mundo e o que esperamos dele. Tudo na vida pode ser simbólico, depende inteiramente de quem está a olhar. E se me permitem, do meu olhar, esta é uma estória muito bonita, de um acaso daqueles que nos fazem questionar as coincidências (serão?) da vida.
Ter a nossa perspetiva é, em primeira análise, o que nos define. Respeitar a perspetiva do outro é a maior forma de respeito. A si, caro leitor, faço um pedido: que continue a ler-nos, a folhear este jornal, com um olhar individual, crítico, seu. É essa, na minha perspetiva, a maior riqueza de cada um de nós.


