O Município de Leiria estima que os prejuízos provocados pela depressão Kristin, à data de ontem, 18 de fevereiro, ascendem a 792,8 milhões de euros, sem contabilizar custos com infraestruturas municipais e do Estado, nem os danos na floresta. Os números foram avançados pelo presidente da Câmara, Gonçalo Lopes, numa conferência de imprensa nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde está instalado o centro de operações municipal.
«Dentro daquilo que conseguimos apurar, o que já gastámos, mais a primeira estimativa por baixo, temos um valor de 792,8 milhões de euros. Ainda falta outro tanto», afirmou o autarca. Gonçalo Lopes indicou que, só na fase «humanitária, emergência e operacional», foram gastos 13,3 milhões de euros, a que acrescem 25,3 milhões de euros de prejuízos em habitações particulares, com base nas candidaturas submetidas à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, admitindo que os danos «são superiores» aos valores já registados.
O presidente da Câmara acrescentou que as empresas terão registado danos superiores a 200 milhões de euros e estimou uma quebra de atividade económica na ordem dos 70,7 milhões. Referindo que o PIB do concelho ronda os 2 100 milhões de euros por ano, sublinhou que cada dia de paragem representa perdas de 5,6 milhões, apontando que, na primeira semana após a tempestade, «100% da atividade económica esteve parada», seguindo-se uma segunda semana com funcionamento a 50% e outra em que 25% da economia continuou sem trabalhar.
Foram ainda contabilizados 26,2 milhões de euros para o associativismo, ambiente, património religioso e cultural e instituições particulares de solidariedade social, ficando por apurar os prejuízos em viaturas particulares. «Não podemos esquecer que a maioria dos carros que estava na rua naquele dia foram afetados pela tempestade. E muitas das pessoas vão perder essa riqueza se não houver apoios», alertou. Quanto à floresta, Gonçalo Lopes considerou os danos «incalculáveis», estimando que cerca de cinco milhões de árvores no concelho tenham desaparecido, podendo a avaliação atingir 500 milhões de euros.
No mesmo ponto de situação, o autarca anunciou que o Plano Municipal de Recuperação de Leiria vai estender-se até ao final do mandato autárquico, em 2029, dividido em três fases. A fase 1, de «humanitária, emergência e operacional», terá a duração de quatro meses, até maio. «São quatro meses para repor as questões operacionais», explicou, detalhando que os 13,3 milhões de euros já gastos incluem, entre outros, combustível, geradores, remoção de lixo no espaço público, reparação e mobiliário para escolas, material de comunicação, casas pré-fabricadas e equipamentos.
A fase 2, de recuperação e resiliência, arranca em junho e prolonga-se por um ano, com enfoque na reposição e segurança dos equipamentos, procurando aproximar a situação ao período pré-tempestade. A fase 3, designada modernização estruturante, corresponde ao restante mandato e prevê intervenções de construção nova, exigindo, segundo Gonçalo Lopes, a definição urgente dos «envelopes financeiros».
O presidente da Câmara garantiu que o município tem capacidade financeira para suportar a fase 1, esperando que parte dos custos possa ser coberta por seguros e medidas de apoio. Para as fases seguintes, admitiu que a autarquia poderá recorrer a empréstimos e defendeu a necessidade de apoio externo, apontando que «ninguém vai conseguir reerguer esta região e este país se não tiver ajuda da Europa».
Foto | Luís Vieira Cruz



