É comum afirmarmos que as críticas quando construtivas, são boas e bem-vindas. Contudo, há alturas em que os poucos que ainda vão mantendo espírito crítico sobre as coisas, acabam por desistir de o manifestar porque o mínimo reparo é visto, por alguns, como um ataque, o dizer mal por dizer mal.
Conhecendo muito bem este cenário, que não é um exclusivo de Porto de Mós, confesso que foi com agradável surpresa que li o artigo de opinião de um dos nossos mais jovens cronistas sobre a presença da Região de Leiria na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL).
Além de me rever por inteiro na sua opinião, gostei da liberdade com que o fez tendo em conta que nas últimas autárquicas foi membro destacado (mas não eleito) da equipa que saiu vencedora a nível concelhio. Como acontece com tantos, podia ter-se refugiado na posição cómoda de não dizer nada que pudesse ser entendido como uma crítica. Ainda bem que não o fez. Primeiro porque a participação de Leiria foi coletiva. Porto de Mós terá tido uma posição sobre a forma como a região se devia apresentar na maior feira de turismo do país mas é óbvio que foi uma entre dez. Depois, porque é muito bom que mesmo quando uma pessoa tem ligação a determinado órgão, instituição ou grupo, consiga manter independência suficiente para opinar sem amarras. Alguns dos melhores autarcas que conheci, e que não é por acaso que foram dos mais respeitados por todos os quadrantes políticos (alguns ainda no ativo), foram vozes incómodas nos seus partidos ou, pelo menos, tiveram sempre a capacidade de autocrítica e de em alguns momentos dizerem “não” quando o partido ou quem estava no poder preferia ouvir o “sim”.
Voltando à BTL, é óbvio que é altamente meritória a participação da região e que houve ali o trabalho de muita gente, o que é de sublinhar. Contudo, há que dizer que Leiria continua a ter uma presença demasiado discreta, diria mesmo, pobre. Tem um excelente programa de animação e de apresentações temáticas (e aqui Porto de Mós tem dado cartas) mas a forma como se promove junto do público não profissional parece-me pouco eficaz. O stand, por norma, é demasiado discreto, por vezes, pouco funcional, e os materiais promocionais e brindes, tão apreciados por quem visita a feira, também pecam pela “discrição”. Numa região tão rica decerto que com o apoio da hotelaria e do comércio local seria possível oferecer coisas mais atrativas e que levassem os premiados a sentirem-se “obrigados” a visitar a nossa região porque ganharam, por exemplo, um jantar ou duas noites num hotel. Não digo que esses prémios não existam mas, se calhar, sem esforço financeiro, há condições para os tornar mais frequentes.
Depois, há os conceitos e a realidade e muitas vezes o casamento entre ambos é difícil ou demorado. Percebo a ideia de “vender” a região em pacotes temáticos mas penso que não resulta ou, pelo menos, no tempo que todos gostaríamos. O “chapa 5” é bonito, justificado em teoria, mas de resultado lento. Parece-me bem mais eficaz haver uma área em destaque (por exemplo, o turismo industrial), sim, mas depois cada município, no seu espaço, tentar vender-se o melhor que conseguir, nessa e noutras áreas.


