Há dias em que me orgulho imenso da terra que me viu nascer. O dia 20 de maio, foi um daqueles de deixar de coração cheio todos aqueles que ficam orgulhosos da sua terra e das suas gentes quando estas conseguem voar alto e mostram capacidade de sonhar mas, também, de organizar e de tornar efetivo aquilo que se idealizou.
O dia 20 de maio correspondeu ao segundo da segunda edição das Factory Talks, evento promovido pela “dupla”, Município de Porto de Mós/ CO+K, a consultora criativa fundada e dirigida por André Coelho, um jovem natural da Corredoura com uma clara capacidade de sonhar mas, também, de fazer acontecer.
Relevo o dia 20 porque foi aquele em que consegui acompanhar do princípio ao fim a longa jornada das Factory Talks mas não tenho a mínima dúvida que em vez de 20 poderia escrever, sem medo de errar, «os dias 19 e 20».
Falta-nos ainda, de algum modo, fóruns onde possamos discutir o que somos, o que queremos ser e o que podemos ser enquanto comunidade mas estas conversas “à sombra” da antiga Real Fábrica do Juncal, uma casa com tão grande história e muita dela associada ao empreendedorismo e ao desejo de ir mais longe sem amarras, faziam-nos também falta.
Porto de Mós não vive numa bolha ou numa ilha, isolado. As realidades nacional e internacional também têm aqui os seus efeitos e ter capacidade para as analisar e perceber como é que nos afetam tentando encontrar caminhos para que a caminhada seja vitoriosa q.b. é fundamental, especialmente, numa área tão importante como é o mundo das empresas.
Desta espécie de “pensar global, agir local”, saíram boas ideias, foram indicados alguns caminhos e, algo que considero muito importante, ficou também a certeza de que temos aqui empresas e empresários a trabalhar sob as melhores práticas do mercado, a inovar e, inclusive, a conquistar lugares de relevância não, apenas, na região ou no país mas, inclusive, a nível internacional.
Juntar na mesma sala um leque tão rico e variado de oradores não será fácil, mas vale bem a pena. Vale a pena ouvirmos aquele que para nós continua a ser o “nosso ministro”, Luís Amado, numa autêntica aula de geopolítica tentando explicar-nos como é que poderá ser o nosso mundo nas próximas décadas, mas sempre sem certezas porque o mundo não está para aí virado e, por isso, como muito realçou, é fundamental termos sempre na manga um “plano B”. Vale bem a pena ouvir a responsável da LSI, Regina Vitório, a explicar como é que uma empresa das Pedreiras (e quem diz das Pedreiras, diria das restantes 10 freguesias do concelho, claro) conseguiu conquistar um lugar no mundo sendo escolhida para fornecer pedra para projetos arquitetónicos de relevo ou para produzir peças únicas que mais ninguém faz. Vale bem a pena ouvir um entusiasmado e entusiasmante, Luís Vieira a dizer com orgulho, «a minha empresa (sediada em Leiria) é a única no mundo a fazer este processo e a ideia é “made in Porto de Mós”». Assim como valeu bem a pena ouvir os restantes empresários, investigadores e docentes portomosenses a intervir nos vários painéis com contributos ricos e exemplo para outros. E claro, é sempre um enorme prazer ouvir André Coelho pela forma viva e rica como encara e sonha a sua terra, o seu país e o mundo em geral.
A par dos convidados portomosenses (e foram muitos, o que atesta o seu valor) tivemos um elenco de luxo com representantes de entidades de relevo a nível regional e nacional, desde o mundo empresarial à academia, o que prova que um município de média dimensão também consegue trazer ao seu território especialistas e nomes de relevo nas suas áreas de trabalho.
Como bons portomosenses que somos, soubemos receber como ninguém os cerca de 200 participantes e, muito importante, também, colocar em campo, parceiros locais como o Instituto Educativo do Juncal porque, seja em que área for, as parcerias são fundamentais e, neste caso que refiro a título de exemplo, possibilitar aos jovens uma “aula” prática num evento de tamanha responsabilidade é, igualmente, de louvar.


