Rescaldo Futsal | Mudança de instalações devido à depressão Kristin com impacto no número de atletas do Condestável

5 Junho 2026

Jéssica Moás de Sá

Formar, formar, formar: é esta a palavra de ordem do Condestável Atlético Clube (Condestável AC) que na época 2025/2026 competiu com seis escalões com «idades entre os 5 e os 17 anos». Petizes, Traquinas, Benjamins, Infantis, Iniciados e Juvenis vestiram a camisola do clube sediado em São Jorge que, tal como dizia a O Portomosense, o coordenador do futsal de formação, Hugo Sancho, na antevisão da época, tem como objetivo dar aos miúdos uma «experiência desportiva dentro dos valores do fair-play e respeito para com todos». «Desportivamente, queremos desenvolver os atletas, sabendo da realidade do nosso próprio clube, para que possam atingir outros patamares noutros clubes», frisou também. 

A grande dificuldade que referiu foi a captação de jogadores (ou a sua manutenção), o que levou até à extinção do escalão de juniores: «Uma vez que tivemos muitas saídas desse plantel que foram aliciados por um outro projeto e nós temos que respeitar a vontade dos atletas», explicou na altura. Agora, o problema mantém-se, sendo que teve uma agravante: a depressão Kristin. 

O atual presidente do clube, Alexandre Leonardo, fez um balanço da época onde falou precisamente do impacto desta tempestade para o Condestável AC. «O ano não correu muito mal, mas tivemos o problema da tempestade que nos fez mudar de pavilhão», relatou. As equipas, que habitualmente treinam no Pavilhão Polidesportivo de Porto de Mós, devido aos estragos, foram treinar para o pavilhão emprestado do CCR Dom Fuas, na Fonte do Oleiro. «Isto não nos ajudou porque as crianças e os pais, e mesmo nós, temos feito um esforço maior, temos levado Porto de Mós para a Fonte do Oleiro e os pais e jogadores não estão a gostar muito desta deslocação e estamos a perder alguns jogadores à conta disso», revelou. O dirigente tem ainda consciência que este é um cenário «que se repete pelo distrito». «Houve muita gente afetada que teve de ir para casa “alheia”», frisa. 

Se na época passada o clube tinha «quase 90 atletas», este ano tem à volta de uns 70. Além das perdas pelos motivos já mencionados, há ainda outro: «Alguns miúdos maiores têm-se virado para o futebol e como nós não temos o escalão de juniores, só temos a formação, acabam por abandonar». Alexandre Leonardo volta a reforçar: «Isto até estava mais ou menos, só que lá está, com esta mudança de instalações [e com as mazelas da Kristin], houve uma altura que não se jogou, não se treinou, alguns jogadores acabaram por não ir aos jogos» e, por isso, os resultados «esperavam-se melhores». Mas uma garantia o presidente deixa: «Nós tentamos fazer o melhor». 

A boa receção em campo “alheio”

Nem tudo é mau. A Kristin obrigou a muito companheirismo entre equipas e Alexandre Leonardo garante que o CCR Dom Fuas foi um bom anfitrião. «Damos-nos bem com eles e fomos bem recebidos, aliás, para eles também tem sido bom porque têm tido mais movimento no pavilhão», salienta. Ainda assim, por melhor receção que tenham tido, querem de volta o “seu” espaço habitual que, apesar de não ser instalação própria, é o pavilhão que já é como casa para os atletas que vêm sobretudo de «São Jorge, Porto de Mós, Pedreiras», mas também de outros pontos do concelho. 

Ainda não existem respostas quanto ao regresso ao Pavilhão de Porto de Mós. «Ainda não temos grande resposta por parte da Câmara, vamos ver como vai funcionar, mas de facto este tem sido um ponto muito delicado para nós, para muitos pais», volta a reforçar. 

O Condestável AC completou 62 anos no passado dia 1 de maio e a Associação de Futebol de Leiria (AFL) destacou o «papel fundamental» que o clube tem «desempenhado na promoção do desporto, do convívio e dos valores de cidadania, consolidando ao longo dos anos uma identidade pautada pelo espírito de equipa, dedicação e excelência».  «Ao longo da sua história, destacou-se não só pelos resultados desportivos alcançados mas também pelo contributo social e formativo junto das camadas mais jovens», pode ler-se ainda num comunicado na página na AFL. 

Na entrevista de antevisão, o coordenador para o futsal de formação, relevou o trabalho que tem sido feito pelo clube e que «está à vista». «Se as pessoas falarem com os pais que têm miúdos no Condestável percebem perfeitamente o trabalho que é feito que é um trabalho profissional». Hugo Sancho ressalvou que este é um trabalho feito por «pessoas que estão habituadas a lidar com crianças, todos têm curso, todos têm formação e alguns, inclusive, em Educação Física e Desporto. Portanto, há aqui uma formação que consegue passar os valores certos aos miúdos».

Foto | DR

isidro Bento

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