Faleceu na madrugada desta quarta-feira, 14 de outubro, o padre José Martins Alves, que foi até 2024, pároco de Porto de Mós. A notícia, conhecida ao final da tarde, deixou consternada a comunidade portomosense, sendo já inúmeras as manifestações de choque e de pesar nas redes sociais pelo desaparecimento deste sacerdote com, apenas, 60 anos de idade.
Em nota publicada na sua página na internet, a Diocese de Leiria-Fátima «neste momento de luto» recorda com gratidão «a vida e a dedicação» do padre José Alves «ao ministério sacerdotal, manifestando a sua proximidade e solidariedade à família, aos irmãos sacerdotes e às comunidades que acompanhou ao longo do seu percurso pastoral».
No mesmo comunicado, «a Diocese convida todos os fiéis a unirem-se em oração pelo eterno descanso do padre José Martins Alves» e adianta que «as informações relativas às cerimónias fúnebres serão divulgadas oportunamente logo que estejam concluídos os procedimento legais e administrativos em curso».
De acordo com fonte da Diocese, o padre José Alves foi encontrado hoje, sem vida, na sua residência, na paróquia da Barosa, sendo desconhecida a causa da sua morte, algo que só a, eventual, autópsia poderá revelar. Ao que O Portomosense apurou, o sacerdote terá ainda participado ativamente nas celebrações do dia 12 de outubro, em Fátima, naquela que é uma das mais importantes peregrinações anuais ao santuário mariano.
É ponto comum nos testemunhos ouvidos e lidos que o padre José Alves deixou marca no concelho destacando-se enquanto dinamizador mas também parceiro em inúmeras iniciativas não só a envolver as comunidades das paróquias que liderou mas, igualmente, a comunidade em geral. Além da sua «boa disposição e alegria», um dos aspetos mais realçados por quem com ele conviveu de perto, é o facto de ter conseguido sempre estabelecer pontes e até grangear a amizade com pessoas não crentes ou que professam outros credos.
José Martins Alves é natural de Arrimal. Nasceu a 12 de janeiro de 1966, tendo sido ordenado padre em 5 de julho de 1992. Depois de ter estado em várias paróquias, foi nomeado pároco de Porto de Mós e Alcaria em finais de 2009 tendo aqui exercido o múnus sacerdotal durante 15 anos. Em 2024 e na sequência da criação de unidades pastorais na Diocese deixou Porto de Mós e passou a integrar a equipa presbiteral responsável pela Unidade Pastoral de Marrazes que abrange as paróquias de Marrazes, Azoia, Barosa e Parceiros. De acordo com o Anuário Católico, era até agora pároco “in solidum” da Unidade Pastoral de Marrazes, sendo titular das paróquias de Azoia e da Barosa, tesoureiro da direção da Casa Diocesana do Clero e membro do Conselho Presbiteral.
Em 2024 e quando se preparava para assumir a nova Unidade Pastoral, O Portomosense pediu ao padre José Alves um testemunho sobre os 15 anos em que foi pároco em Porto de Mós, e que publicámos aquando da sua saída.
Em jeito de homenagem a uma pessoa que sempre colaborou com O Portomosense e a Rádio Dom Fuas reproduzimos abaixo esse testemunho, apresentando, ao mesmo tempo, sentidas condolências à família enlutada.
“Ser Pároco em Porto de Mós foi uma experiência pessoal, comunitária e sacerdotal maravilhosa. A nível pessoal usei quinze dos meus melhores anos da minha vida entre os meus 43 e os 58 anos de idade, com a plenitude da saúde que Deus me deu e da totalidade das minhas forças, físicas, intelectuais e emocionais.
A nível comunitário o maior feito realizado foi ter estado sempre muito perto de todas as pessoas da Paróquia. Tanto nos momentos de festa como nos momentos de tristeza, dor ou morte. Além disso, foram centenas e centenas de atividades comunitárias belas e arrojadas em que milhares de pessoas participaram ao longo destes anos.
A nível sacerdotal sei que cumpri a missão que me foi confiada pelo meu bispo ao enviar-me para esta Paróquia. Nem sempre com a santidade e a perfeição merecida ou desejada mas sempre com alegria, confiança e com o sentido da esperança cristã.
Tudo isto só foi possível pelos bons e fiéis colaboradores com que tive o prazer de realizar esta missão e que nunca desistiram nem me abandonaram durante os tais 15 anos que vivi em Porto de Mós.
Para todos eles os meus sinceros agradecimentos e as melhores recompensas de Deus em quem acreditamos. Agora chegou nova missão e novos desafios nas paróquias de Marrazes, Barosa, Parceiros e Azoia onde estou a residir. Da minha parte seja feita a vontade de Deus! Para todos os portomosenses as melhores bênçãos de Deus”.
(Notícia em atualização)



