A apregoada coesão chegou (felizmente) ao BTT?

by | 23 Jan 2020

Criar um troféu “construído” nos resultados obtidos em cada uma das provas de BTT existentes no concelho parece uma excelente iniciativa. Não sei se nos concelhos vizinhos há algo idêntico e como é que está a ser a experiência, só conheço algo semelhante noutra modalidade e a uma escala geográfica maior mas pelo que me tenho apercebido, é caso de sucesso. Salvaguardadas as devidas distâncias, se o Circuito do Calcário, em trail (uma vertente do atletismo, para quem não sabe) motiva atletas e clubes e atrai mais gente à região, acredito e espero que um troféu idêntico embora noutra modalidade possa ter o mesmo efeito e igual êxito.

O que se passou com a corrida, que da estrada e da montanha passou para os trilhos, é um bom exemplo de que quem pratica desporto gosta de ser confrontado com novos desafios e se muitos só querem desafiar-se a si próprios, outros terão o direito, muito legítimo, sublinhe-se, de querer mostrar que são os melhores do seu concelho ou, simplesmente, da sua rua.

Voltando ao BTT, parece-me haver aí “mercado” para uma experiência bem sucedida já que os praticantes têm aqui um incentivo extra, não lutam, apenas, pela vitória em provas isoladas, sabem que se forem regulares e obtiverem bons resultados num conjunto de provas podem aspirar, com todo o mérito, à conquista de um troféu municipal ou aos recompensadores lugares de pódio (e neste caso, a organização até foi bem generosa). Para os clubes envolvidos, Câmara e empresa de cronometragem é também uma excelente oportunidade de aprofundarem relações institucionais mas também de pura cooperação no terreno e, quem sabe, um primeiro passo para mais iniciativas em parceria, seja com todos ou, em projetos específicos, só com alguns. A criação deste troféu é, já por si, uma grande vitória. Uma vitória do desporto e do bom senso mas também do bairrismo genuíno sobre o bairrismo bacoco que tantas vezes coloca clubes de terras vizinhas de costas voltadas, fruto de invejas, orgulhos feridos e guerrinhas sem sentido.

O que fica a faltar? Uma estratégia para aproveitar os muitos praticantes de BTT que todas os fins de semana, diria, mesmo todos os dias, rumam até cá, sem qualquer interesse competitivo, apenas pelo prazer de andar na sua bike em pleno contacto com a natureza. São dezenas e dezenas a circular pelas nossas estradas e pelos nossos trilhos, mas será que têm estruturas adequadas para a prática deste seu hobby? Sentir-se-ão motivados a ficar por cá a tomar o pequeno-almoço ou a almoçar? Quem é de mais longe, aproveitará para ir visitar a vila ou retomará pela mesma via que o trouxe não sentido qualquer necessidade ou interesse de comprar nem que seja uma garrafa de água?

Nesta e em algumas outras áreas, Porto de Mós tem-se deixado adormecer e depois ficamos surpreendidos quando terras com menos tradições nos passam à frente e, pela proximidade geográfica, esvaziam de sentido projetos que tínhamos em mente mas que não avançaram em tempo útil.

Depois de um ambicioso mas fracassado centro de atividades ao ar livre, para quando um, aparentemente, mais realista, centro de BTT de Serro Ventoso? Ninguém garante que resulte mas vale a pena experimentar… já agora, antes de todos os concelhos à nossa volta fazerem o mesmo. Não falta muito…