Luís Oliveira fez carreira na cerâmica, nomeadamente na pintura. Entrou para o setor logo depois de ter terminado a escolaridade obrigatória, por vontade dos pais que o «encaminharam» para a área, por ter «alguma aptidão e alguma sensibilidade para o desenho». Depois de alguns anos a trabalhar por conta de outrem, decidiu criar a sua empresa e foi neste ramo que trabalhou toda a sua vida, tendo sido escasso o tempo em que parou de pintar. «Quando comecei a trabalhar na minha própria empresa, era eu que pintava porque era da área e tinha que aproveitar este know-how. Quando a empresa atingiu uma estrutura maior e formei, de uma maneira geral, os funcionários, deixei de ter necessidade de pintar», revela, no entanto, «a criação, fazer decorações novas», continuava a seu cargo. «É uma área de que gosto», afirma.

Ao longo de todo este tempo na profissão já viu a cerâmica passar por várias fases, no entanto considera que «nunca mais terá a força que já teve»: «As modas andam à volta de um determinado tipo de linha, que daí a 20 ou 30 anos se vai repescar e fazer outra vez, no entanto, raramente, às segundas tentativas se consegue o mesmo poder», reforça. Além disso, há um fator, para si, determinante: «O tipo de habitação que temos». Hoje, «usam-se mobiliários de linhas direitas» onde «não cai bem uma peça destas, de um estilo rústico que não combina com o moderno». Afirma, todavia, que a cerâmica, «uma arte milenar», não vai morrer, porque «há sempre os conservadores, uma casa que se restaura e em que se pretende manter um determinado estilo…».

Para Luís Oliveira, «o trunfo da louça decorada» é o facto de não haver «nenhuma máquina que substitua a mão humana». «Durante algum tempo foi experimentada e feita a decalcomania, que pretendia baixar os custos do produto, utilizando decalques em vez da pintura à mão. A verdade é que esse tipo de trabalho teve algum sucesso no início, mas foi pouco duradouro, porque o pintado à mão é insubstituível, não há máquina que o faça», explica, acrescentando que «com peças pintadas à mão, não há duas iguais». De há uns anos a esta parte, adotou-se a pintura em série, em que cada elemento da secção pinta uma parte da peça, levando a que, no final, as peças saiam muito parecidas. No entanto, Luís Oliveira recorda bem o tempo em que começou: cada pintor fazia o desenho completo e no final, era possível saber quem tinha feito a peça «pelo traço».