Entre os participantes do encontro da Diabetes que teve lugar em Porto de Mós, no passado dia 14 de novembro, estiveram duas profissionais de saúde do Centro Hospitalar de Leiria (CHL), naturais de Porto de Mós: Sónia Leirião (psicóloga) e Beatriz Vala (médica interna de Pediatria). Esta última, além de médica no serviço de Pediatria apresenta também o diagnóstico de diabetes, e essa dupla coincidência levou-nos a tentar conhecer um pouco a forma como lida com a doença.

Como é que é viver com a Diabetes desde tão nova?
Eu sou diabética há 14 anos. Descobri que tinha diabetes aos 14 anos e agora com 28 e sinto que a diabetes não limitou nada a minha vida. Claro que tenho que ter uma preocupação acrescida em dar insulina e em ter uma alimentação equilibrada mas faço uma vida normal e consigo controlar a minha diabetes relativamente fácil. Uma coisa que eu acho muito interessante é que sou diabética só há 14 anos e sinto que nestes 14 anos a minha terapêutica e o meu controlo foi mudando ao longo dos tempos porque desde essa altura até agora houve uma evolução brutal. No início dava dois tipos de insulina com canetas. Agora tenho uma bomba, que me vai dando a insulina que preciso e depois eu vou controlando consoante a minha alimentação e isso ajuda muito.

Enquanto médica interna de Pediatria lida, entre outras, com crianças e jovens com Diabetes tipo I. Como é ter a doença e acompanhar outros jovens, embora mais novos, com o mesmo problema?
Eu quando escolhi pediatria não sabia que ia gostar tanto de lidar com as crianças com diabetes, mas realmente é uma área em que eu tenho bastante interesse e sinto que com a minha experiência pessoal consigo ajudar outros jovens com esta doença, muitas vezes sem lhes dizer pessoalmente que também sou diabética. Acho que consigo entender quais é que são os problemas e as dificuldades que eles sentem e, portanto, conseguir ajudá-los a contornar essas dificuldades.

Como reagiu quando descobriu que tinha diabetes?
Foi um choque e é sempre uma adaptação difícil no início, mas o meu pensamento foi sempre que existem doenças piores e, portanto, tendo a diabetes controlada e fazendo a terapêutica, conseguimos ter uma vida que não limita em nada o nosso dia a dia.

As pessoas com quem trabalha sabem que é diabética ou nunca sentiu a necessidade de partilhar?
Eu, muitas vezes, faço questão de dizer que tenho diabetes, porque existem algumas complicações agudas da diabetes como a hipoglicémia e acho que é importante as outras pessoas saberem porque posso não me aperceber que estou a entrar em hipoglicémia e, portanto, posso precisar de ajuda. De qualquer forma nunca me senti discriminada, nem posta de parte por ter diabetes ou por precisar de fazer insulina. Sempre fui muito apoiada.