Não são grupos antigos, são de pontos distintos do concelho e ambos têm participado nos festivais de teatro promovidos pelo Município de Porto de Mós. A pouco mais de uma semana do regresso do Teatremos, quisemos conhecer estes grupos de teatro e o que os motivou a unirem-se em torno desta arte. Começamos pelo Teatr’Ambu de São Jorge. Susete Calado falou-nos em representação do grupo que está ligado à Associação de Serviço e Socorro Voluntário (ASSV) de São Jorge e que começou precisamente através de uma iniciativa promovida pela associação. «Um grupo de voluntários juntou-se e transformou em teatro um livro que nasceu na associação e que levámos às escolas da região», explica Susete Calado. Nesta altura nem se consideravam um grupo, sendo esta atividade encarada apenas como «intervenção nas escolas». No entanto, o livro intitulado Gabriel, Artur e Raquel foi o “pontapé de saída” para unir estes voluntários em torno de um gosto comum, a representação.

«Posteriormente alguns destes elementos juntaram-se para escrever uma peça, tendo por base a história do João Pateta e apresentaram na associação», recorda Susete Calado, salientando que eram todos pessoas «sem qualquer experiência no teatro» e que o faziam «por pura carolice». Ainda assim, mesmo sem experiência, o «resultado foi tão positivo que o Município de Porto de Mós convidou o grupo para participar no Teatro de Rua». A estreia neste festival aconteceu em 2017 e, desde então, a evolução, acredita Susete Calado, tem sido notória. «Acho que as pessoas nos acham bons e nos querem ver, sentimos esse peso e responsabilidade de cada vez que levamos uma peça a palco», frisa.

Sendo o grupo amador, quem escreve e encena as peças? «A partir do momento em que estamos inseridos no Teatro de Rua, somos encenados por elementos do Leirena – Companhia de Teatro de Leiria, com apoio do Município», explica. Até ao momento tem sido Inês Valinho, natural de Porto de Mós, a encenadora que mais tem trabalhado com o grupo de São Jorge, embora isso possa mudar de peça para peça. «Ela ensina-nos, escreve-nos as peças e tem corrido muito bem. É uma excelente escritora que faz peças maravilhosas», afirma Susete Calado. O Teatr’Ambu é constituído, atualmente, por 12 elementos, 11 mulheres e um rapaz de 11 anos. A maioria dos membros do grupo está «na casa dos 40 anos». Susete Calado admite que «nem sempre é fácil» manter ou ter pessoas novas no grupo porque, considera, «as pessoas são muito comodistas». «Uma peça para ser boa dá muito trabalho, são muitas horas dedicadas, nem todos estão para isso», frisa. No entanto «há sempre pessoas dentro da comunidade com aquele “bichinho”» que mantêm os grupos acesos, mesmo «entrando uns e saindo outros».

Representar as suas terras é um dos lemas destes grupos

A primeira vez que o Teatro Mendigal (o nome junta os das terras de Mendiga e Arrimal) atuou em palco foi em 2018, no Teatro de Rua de Porto de Mós, com a peça São Quem?, pouco tempo depois de terem surgido como grupo. Na primeira publicação que o grupo fez na sua página, explicava precisamente o porquê da sua criação: «Queremos ligar as pessoas mais à cultura». A ideia surgiu «na Marinha da Mendiga pela Serra D’Aire – Tempos Livres Cultura e Desporto, no sentido de representar a União de Freguesias de Arrimal e Mendiga», acrescentavam ainda. Lúcia Ferraria faz parte do grupo e é uma das pessoas que gere precisamente esta página e lembra o momento em que começaram. «Foi numa brincadeira e o intuito era também convivermos. Sabíamos que havia outros grupos na zona mas achámos por bem fazer um na nossa terra, com as nossas gentes», lembra.

À semelhança do que acontece com o Teatr’Ambu também aqui todos os membros são amadores e contam com a ajuda dos profissionais do Leirena com quem têm «aprendido muito». O grupo é, atualmente, composto por 11 elementos, a mais nova tem 10 anos (filha de Lúcia Ferraria) e a mais velha está na casa dos 80 anos. Muitos elementos mantêm-se desde o início e são poucos os novos que se querem juntar. «Não há muitas pessoas interessadas, há gente a querer ver mas não a participar. Acredito que possa ser pelo trabalho, pela dedicação que envolve, o facto de termos que decorar texto e nem todas as pessoas terem essa facilidade», acredita. Apesar de não poder garantir que esse é «o motivo real», conta que já foram «consultadas várias pessoas para entrar no grupo que disseram que não porque dava muito trabalho». O que é certo é que o grupo está a manter-se e vai estar mais uma vez no Teatremos com «uma peça cómica»: «É o que o nosso grupo gosta de fazer».