No passado dia 20, entraram em vigor mais de duas dezenas de novos sinais de trânsito. Ainda que agora estejamos mais confinados à nossa casa, continuamos, por vezes, a circular na estrada e havemos de retomar as nossas rotinas, pelo que continua a ser importante estar atualizado nesta matéria.

O Portomosense falou com David Silva, instrutor de condução, que destacou como mais importantes os «sinais de perigo, principalmente a passagem para ciclistas já que cada vez há mais ciclistas a circular». «Outro sinal para que chamo a atenção é a passagem para velocípedes, que existia apenas marcado no pavimento e que muitos condutores já conheciam», adianta. Situação semelhante é a de «via para motociclos» para que passa a existir «sinalização vertical». David Silva destaca ainda a «sinalização de zona residencial ou zona de coexistência, que alerta para o facto de poder haver, por exemplo, crianças a brincar na estrada, como se fazia antigamente», locais onde, «como é lógico, temos que moderar a velocidade».

Para o instrutor, residente da Corredoura, as «atualizações são importantes» porque «os carros vão evoluindo e as vias também», no entanto considera que essa informação «nem sempre é dada a conhecer à maior parte dos condutores». «Por isso, defendo formação contínua, ou seja, quando vamos validar a carta, devíamos ter uma pequena formação, para ter conhecimento destas atualizações, por vezes só os meios de comunicação não chegam», considera. Na sua opinião, a população não está devidamente informada e há «muitos condutores a quem isto passa ao lado» e isto acontece porque «não têm acesso aos meios de informação [nomeadamente a internet], porque não se dão ao trabalho de saber, porque acham que já sabem tudo e que aquilo que sabem chega para andar na estrada», afirma. E dá o exemplo da nova forma de circulação nas rotundas, que «foi um caso muito falado e ainda hoje se vêem condutores a fazer mal».

«Há muito pouca consciência rodoviária em Portugal», atira. De acordo com David Silva, «faz falta uma disciplina de Educação Rodoviária na escola»: «Isso seria das coisas a fazer em primeiro lugar para conseguir mudar os comportamentos, porque ir tirar a carta, ter 32 horas de [aulas de] condução e 28 de código, não vai mudar a mentalidade da pessoa. Ela tira a carta porque tem que tirar e depois vai para a estrada e faz o que quer», explica. Também é necessária, no seu entender, «mais fiscalização». «Uma atitude que provoca milhares de acidentes ao longo do ano é a falta de utilização dos piscas e, no entanto, ninguém os faz, é uma coisa banal, ninguém faz porque ninguém é multado [por isso]», exemplifica.

David Silva alerta ainda que, na comunicação social, têm sido divulgados sobretudo os primeiros sete sinais que constam desta nova legislação, no entanto há muito mais. Consulte aqui, no site da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, toda a nova sinalização.

Catarina Coeeria Martins
com Jéssica Moás de Sá