Com o país em isolamento – obrigatório ou não –, a despensa está muito mais perto do que se estivéssemos no nosso local de trabalho. Para quem está em teletrabalho, as pausas são mais simples e podem acontecer mais vezes, para quem está em casa sem trabalhar, porque o seu emprego não o permite ou porque está a tomar conta dos filhos, a comida é um excelente entretém. No entanto, este tempo não pode ser sinónimo de desleixo. Não porque tenhamos que ter um corpo bonito para passear na praia no verão, mas porque, mais do que nunca, precisamos de ter um corpo saudável e um sistema imunitário reforçado.

O Portomosense falou com Renata Marcelino, nutricionista, que começa por explicar que «é sempre importante termos uma boa alimentação», mas nesta fase em específico, isso vai «ajudar-nos a fortalecer o nosso sistema imunitário». «Não existem, de acordo com estudos científicos atuais, alimentos que possam prevenir ou ajudar no tratamento da COVID-19. No entanto, existem alimentos, mais especificamente nutrientes, que podem ajudar a fortalecer o sistema imunitário» que fica, assim, mais preparado para combater qualquer doença, afirma a especialista.

Segundo Renata Marcelino, há alguns alimentos que podem ser nossos “aliados” nesta fase, como a fruta, os hortícolas, os cereais integrais e as leguminosas. «Devemos manter uma alimentação com base na Roda dos Alimentos, incluindo todos os seus grupos, e privilegiar o consumo de frutos oleaginosos, ou seja, os frutos secos e as sementes, porque apesar de não estarem incluídos na Roda dos Alimentos, são muito ricos em vitaminas e minerais que, neste momento, precisamos em maior quantidade», esclarece.

Outra das questões levantadas neste tempo, passa pela aquisição de vitamina D, que fortalece o sistema imunitário e que, sabemos, se consegue, maioritariamente, através da exposição solar. E se há quem tenha um quintal ou um jardim onde possa estar em segurança, há muitos milhares de pessoas confinadas a apartamentos que, muitas vezes, nem varanda têm. Renata Marcelino diz que, através da alimentação, é possível ingerir vitamina D, ainda que «em menores quantidades». «Pode ser obtida através de peixes gordos e dos seus óleos, como o salmão e a sardinha, devendo moderar o seu consumo por serem peixes gordos; os ovos, mais propriamente a gema; os cogumelos, o leite e o queijo», explica.