A Liberdade não poderia estar mais viva

24 Junho 2026

Na madrugada de 28 para 29 de janeiro de 2026 quando os colaboradores da Rádio Dom Fuas e d’O Portomosense chegaram às instalações para trabalhar foram confrontados com a mesma realidade de muitos: não tinham luz, comunicações, não tinham a emissão a funcionar porque não tinham gerador, tanto no local da emissão, como nos locais onde estão as antenas de onde é emitida, para o concelho e região, a Rádio Dom Fuas. Mas a verdade é que sabíamos da importância acrescida do nosso trabalho nesses dias, que se veio a revelar assim que conseguimos recuperar a emissão. Demos conta, a cada dia, de como estavam os trabalhos de recuperação e reabilitação, onde as pessoas podiam ir tomar banho, guardar os seus alimentos em arcas, ter acesso a uma refeição quente, prognósticos do regresso de água/luz, informar sobre casos mais graves e apelar ao cuidado de todos, bem como muitos outros pormenores. Se sentimos que o nosso trabalho é importante todo o ano, sentimo-lo com mais força por esses dias. 

Tenho muita pena, a título pessoal, e outra tanta pena, como jornalista, que um momento difícil como este, leve a manifestações, sobretudo nas redes sociais (a “arma” que muitos usam hoje em dia), que põem em causa o nosso trabalho e escondidos atrás de perfis não identificados. No passado dia 25 de maio, deputados do PSD, eleitos pelo círculo de Leiria, visitaram as instalações da CINCUP (detentora da Rádio Dom Fuas e O Portomosense), para ouvirem algumas das principais dificuldades que estes órgãos viveram, precisamente durante esta tempestade, e procurar perceber de que forma os meios devem estar mais preparados para novos episódios como este. Ouviram a forma como os meios de comunicação social, algo que, isso sim, deveria preocupar toda a população e gerar contestação nas redes sociais, vivem de forma precária e com poucos apoios, há muitos anos. Aliás, sempre assim foi, sobretudo nos meios regionais.

Esta visita dos deputados não foi à CINCUP por si só, foi uma visita a vários pontos do concelho e instituições que sofreram com a Kristin. Não aconteceu em Porto de Mós por acaso, aconteceu no nosso concelho por ser um dos concelhos da região verdadeiramente afetada por esta tempestade. E aconteceu, noutros dias e momentos, noutros pontos desta mesma região, independentemente da cor política que lidera cada um desses territórios. 

Dizer que esta visita «deixa questões incómodas no ar» ou questionar «como fica a isenção jornalística a partir do momento em que um meio de comunicação passa a depender da carteira do partido que está no poder», tendo em conta a forma como os meios de comunicação ficaram “descalços” aquando da depressão, é uma retórica que não duvida e que generaliza de uma forma preguiçosa toda a classe jornalística e que descontextualiza, de forma perigosa, esta visita feita pelo partido que se encontra atualmente no Governo. 

A nós muito nos orgulha estarmos, enquanto CINCUP, desprovidos de qualquer preferência ou influência de quem procura saber das necessidades dos meios de comunicação social. Para nós, no final do jogo, interessa sim que os meios de comunicação social fiquem a ganhar. Que ganhem o respeito, a consideração, em função do trabalho de serviço público que fazem, ganhando peso num meio regional onde somos poucos a contar a estória do café da aldeia, ou a questionar a forma como o dinheiro público de uma Junta foi usado. 

«Como munícipe deixo aqui sentidos pêsames à nossa Liberdade», outro dos manifestos lidos pela internet. Eu respondo: a Liberdade não poderia estar mais viva dentro das quatro paredes da CINCUP onde todos são ouvidos, escutados, com critério, isenção, e onde apenas há um interesse comum, e que assumimos… fazer um serviço público que nos honre e que não olhe a cores partidárias, religiões, clubes ou terras.