Foto: Jéssica Silva

Sentada de jornal na mão e rádio na outra, é assim que O Portomosense encontra Joaquina Costa, de 67 anos, na Área de Serviço de Autocaravanas de Porto de Mós.

Veio com o marido, José da Costa de 72 anos, de Freiria, uma pequena freguesia situada em Torres Vedras. Para os antigos comerciantes do setor têxtil, esta é já a quarta vez que decidem rumar à Vila Forte. Estão há três semanas em Porto de Mós e confessam que, ficam sempre algum tempo, «a última vez antes desta» permaneceram dois meses no concelho.

Há 32 anos que têm autocaravana, mas só depois da reforma é que os passeios começaram a ser mais frequentes, «agora é quase o ano inteiro, passou a ser dia sim, dia sim», salienta José de sorriso rasgado. Atualmente, já só regressam a Torres Vedras «quando há consultas», acrescenta Joaquina, dizendo que já que «a vida toda foi dentro de casa, agora sabe bem apanhar ar puro».

Para este casal, o tempo em Porto de Mós divide-se entre concertina, passeios de bicicleta e idas às serras. «Gosto muito disto aqui. O sossego, as serras, sei lá, tudo. Gosto muito de Porto de Mós. Fui visitar o castelo e foi muito bonito, adorei», é assim que Joaquina se expressa quando questionada sobre o porquê da escolha ser tantas vezes a mesma.

As condições da área onde pernoitam é um dos motivos que os leva a apreciar tanto a vila. Quem passa pela Área de Serviço de Autocaravanas de Porto de Mós tem à sua disposição água, despejo e estacionamento, que para José são «cinco estrelas». A acessibilidade ao comércio é outro dos fatores apontados por José como positivo: «Está tudo à mão de semear, se for preciso comprar alguma coisa está tudo aqui».

Quem partilha da mesma opinião é o vizinho do lado, José Carvalho, que ressalva a boa disposição das pessoas. «Há muita simpatia e os funcionários da Câmara que fazem a higiene do Parque Verde são muitíssimo bons», refere, salientando o facto de haver uma preocupação em conversar com as pessoas que por lá se instalam.

José Carvalho, de 56 anos, natural do Douro, há três anos que decidiu optar pelo autocaravanismo na sua forma mais plena e desde então que a autocaravana é a sua casa. Já perdeu conta à quantidade de vezes que decidiu vir a Porto de Mós, local onde nunca fica menos de 20 dias, e justifica a escolha pelo facto de nos diversos lugares pelos quais passou haver sempre algum inconveniente e «aqui esses inconvenientes não existirem». Na opinião de José, a vila de Porto de Mós «é um lugar seguro, tranquilo e o que oferece é muito bom», além disso «a natureza é muitíssimo rica, os odores da serra, a fauna e a flora são extraordinárias».

Quando questionado sobre o principal motivo que o leva a pegar na autocaravana e simplesmente ir, José é perentório: «O nosso país é uma espécie de oásis na Europa, quer pela qualidade de vida, quer pela segurança».
Usufruir da vida «como ela deve ser vivida» é o lema de José, que destaca a importância de haver uma relação entre “vizinhos”, baseada na amizade e na partilha. Por vezes, por se dar tão bem com as pessoas com quem se cruza, acaba por procurá-las mais tarde, até noutras zonas do país, «é a vantagem de viver numa casa com rodas», sublinha José Carvalho.

Apesar de só há pouco tempo ter optado em exclusivo por este estilo de vida, José tem uma autocaravana há 15 anos. Já andou pela Europa mas regressa «sempre a Portugal» porque salienta que é o país que «oferece melhores condições e mais liberdade de estar». É nessas andanças que tem conseguido estabelecer amizades e estar em contacto com outras culturas, e essa ligação tem-se dado muitas vezes em Porto de Mós: «Tem-me acontecido conhecer muita gente de diversas nacionalidades, tenho aliás, amigos franceses que vêm para aqui na esperança de me encontrar porque depois fazemos caminhadas pelas serras», refere José, que ressalva a «qualidade de vida extraordinária» que a vila proporciona e o contacto com a natureza que, no seu entender, é «excecional».

Para este viajante é de salientar a flexibilidade do concelho, algo que não existe noutros locais em que «há sempre um limite de tempo para sair, entre 48 e 72 horas». Em Porto de Mós, «embora essas leis existam, desde que se saiba respeitar o lugar, é dada a liberdade de se estar e isso é excelente», sublinha José. «Já estive na Batalha, em Estremoz, em muitos lugares, e Porto de Mós, de facto, facilita-nos muito a vida».

Ter Porto de Mós como primeira opção

Na ponta da Área de Serviço de Autocaravanas da vila, O Portomosense foi ainda encontrar Carlos Fernandes, 62 anos, que se fazia acompanhar pela sua esposa, Anni de 72 anos, de nacionalidade francesa. No colo segurava a sua cadela, que durante toda a entrevista se esforçou por deter a sua atenção. O sotaque que emprega não esconde que, apesar de ser português, a maior parte da sua vida foi passada “lá fora”, tinha 10 anos quando foi para França, altura em que os pais decidiram emigrar e por lá ficou «até aos dias de hoje».

Há cinco anos que viaja o ano inteiro e foi nessa altura que veio a Porto de Mós pela primeira vez, contudo, tem dificuldade em contabilizar o número total de vezes que já esteve na Vila Forte, porque refere que só no mês de maio esteve no concelho por três temporadas.

«Eu conheço todas as áreas de autocaravanismo e para mim, a de Porto de Mós é uma das melhores, se não a melhor que encontrei até agora», diz. É com largos elogios que Carlos descreve a vila que sempre o acolhe, e que do seu ponto de vista «tem tudo o que é preciso», incluindo restaurantes, supermercados e ainda «tudo o que um autocaravanista precisa para passar o verão ou o inverno».

A viajar o ano inteiro, Carlos e a esposa fazem uma média de «50 a 60 mil quilómetros por ano» só em Portugal. A experiência tem sido bastante positiva e para Carlos o segredo é «não fazer plano nenhum e não contar o tempo» porque no seu entender «o importante é viver o dia a dia pois não se sabe o que amanhã pode acontecer».
Com casa em França e em Espinho, é em Porto de Mós e na Aldeia do Lago, no Alentejo, que este casal encontra a quietude que tanto procura. O desejo de Carlos é que todas as pessoas pudessem ter esta oportunidade, porque «esta é melhor vida que uma pessoa pode ter depois da reforma».