A celebração da Semana Santa vai regressar a Porto de Mós entre 9 e 17 de abril, no formato pré-pandemia, com uma programação preenchida durante nove dias. Na conferência de imprensa de apresentação do evento, os vários intervenientes detalharam as celebrações de cada dia. Abriu a sessão o presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, que começou por frisar que «este ano todos estão ansiosos por retomar uma vida normal». «A celebração da Páscoa é muito importante, à qual este executivo decidiu associar algumas manifestações que visam acentuar a importância deste tempo e reforçar o envolvimento da comunidade», frisou o autarca.

A Semana Santa não se cingirá apenas à parte religiosa, terá a arte e a cultura como aliadas e, por isso, «contará com a envolvência da comunidade», referiu o vereador da Cultura, Eduardo Amaral. «Este é um projeto de partilha e conta também e sobretudo com a envolvência da Paróquia de Porto de Mós», disse ainda o vice-presidente. O padre, José Alves, espera que «esta Semana Santa seja mesmo uma semana santa»: «Uma semana que a Igreja reserva para celebrar o grande acontecimento fundacional da Fé cristã, que foi a morte e ressurreição de Jesus».

A programação detalhada

As atividades arrancarão oficialmente no dia 9 de abril com a exposição do habitual Tapete de Flores na Ponte Nova, embora a sua construção, que envolve a comunidade interessada, comece no dia 8, sexta-feira. No dia 10, domingo, este tapete continuará em exposição. Ainda neste dia, será feita a recriação bíblica do Domingo de Ramos pelas 15 horas no Largo do Rossio e pelas ruas da vila. «Pretendemos que seja uma celebração grande, vamos retirar as outras celebrações dominicais, na Fonte do Oleiro e Tojal, para podermos estar todos a celebrar um acontecimento tão importante que foi a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém», revelou o pároco. Já o vice-presidente diz que neste Domingo de Ramos, o objetivo «é recuperar a tradição do afilhado poder dar o ramo ao padrinho, uma tradição que se perdeu» e que o Município quer recuperar.

No dia 11 de abril, pelas 21h30, é a vez de a Igreja de São Pedro acolher a Cantata da Ressureição: Drama Musical Encenado, de Amadeu de Oliveira, que trará também convidados. «É uma Via Sacra cantada em que, além da parte musical, terá dois atores e ainda uma surpresa que não quero revelar», explica o músico. No dia 12, terça-feira, também na Igreja de São Pedro, pelas 21h30, será feito um espetáculo no âmbito do 40.º festival de Música em Leiria. «Era nossa intenção entrar nos grandes circuitos, lançámos o desafio ao Orfeão de Leiria [organizador do festival] para podermos entrar», salientou Eduardo Amaral. O presidente da direção do Orfeão de Leiria, Vítor Lourenço, diz que esta participação é também especial para a instituição, uma vez que marca o regresso do Coro do Orfeão de Leiria que «esteve parado dois anos e retomou em outubro com novo maestro e novas vozes». O espetáculo junta o Coro à Camerata do Orfeão onde será interpretada a Missa Brevis de Jacob Haan. Os espetáculos musicais terminam no dia 13 com os Cantos da Quaresma, interpretados por Sara Vidal e César Prata da associação Sons Vadios. «Como o nome indica, este projeto trata o reportório tradicional português da Quaresma, que antigamente, não há muito tempo, era vivida de uma forma muito profunda, pelo silêncio, havia ausência de música, a música era apenas vocal, havia um único instrumento, as matracas, são essencialmente encomendações das almas», esclareceu Sara Vidal.

No dia 14, quinta-feira, já no período do Tríduo Pascal, a parte mais religiosa da Semana Santa começa com a Última Ceia – Cerimónia Lava Pés pelas 21 horas. «Terá a envolvência das crianças da catequese. É uma celebração dentro da Igreja, para os cristãos que, mais do que espectadores, queiram participar na celebração litúrgica», referiu o padre José Alves. Na Sexta-feira Santa, 15 de abril, realiza-se um dos pontos altos da celebração, a Recriação Bíblica da Via Sacra, que além de contar com a participação dos voluntários que se quiserem juntar, será dirigida pelo Leirena Teatro com a colaboração de alguns grupos de teatro do concelho. Tal como frisou o padre José Alves e o vice-presidente, também o diretor do Leirena, Frédéric da Cruz, explicou que esta não é uma «representação»: «Não são cenas dramatizadas ou encenadas num pensamento de espetáculo, é uma recriação que pretende ser um momento de introspeção, silêncio e oração». No total serão 14 estações que começam na Igreja de São Pedro e terminam no Castelo.

No sábado, 16 de abril, realizar-se-á, pelas 23 horas, na Igreja de São Pedro, a Vigília Pascal. «Esta é, para os cristãos, uma celebração importantíssima, podemos dizer a mais importante. É a celebração maior do ano porque faz toda a história do povo de Israel depois da morte de Jesus para chegar à ressurreição, portanto é a passagem da morte à vida, é nessa passagem que começa a fé», frisa o pároco. No domingo de Páscoa, 17 de abril, depois da Eucaristia, pelas 11h30, segue-se a Visita Pascal. «A Visita Pascal regressa de casa em casa, vamos poder voltar a visitar as pessoas, algumas que não vejo há dois anos», salienta José Alves. É desta forma que termina a Semana Santa que, espera o presidente da Câmara, seja um momento também para integrar os refugiados que chegam ao concelho. «Aqueles que vêm, vêm a fugir da guerra, não lhes podemos dar nem tristeza nem guerra, devemos dar-lhes vida, integrá-los na comunidade, a Semana Santa e todos os acontecimentos daqui para a frente serão de integração dessa comunidade», concluiu Jorge Vala.

A falta de participação na Paróquia pós-pandemia

Apesar de garantir que dará o seu melhor para envolver a comunidade na realização da Semana Santa, o padre José Alves avisa que, neste momento, «as comunidades paroquiais estão muito fragilizadas». «Temos tido uma participação reduzida nas nossas celebrações comparada com a que tínhamos antes da pandemia, o nosso movimento jovem está deficitário, temos tido menos colaboradores, catequistas, crianças, alguns pais tiveram receio e não permitiram que os filhos participassem nas atividades», alertou o pároco. José Alves acredita que se conseguirá organizar tudo o que está planeado da melhor forma, mas não deixa de voltar a frisar «as grandes dificuldades» que a Paróquia atravessa. Para isto, contribuiu a pandemia que levou «ao isolamento». «Anulou-se a vida comunitária e associativa, perdemos até o treino de trabalhar em conjunto e em equipa. É importante para todos nós recomeçar porque se perdeu o espírito, cada um foi à sua vida e é preciso congregar novamente para sermos uma comunidade», frisa o padre.

Foto | Jéssica Moás de Sá