A sustentável leveza do saber

12 Janeiro 2026

Tivesse alguém de escrever uma sinopse de 2025, exercício penoso de inglória agrura, decerto empregaria termos como “conflito”, “desinformação” e “inteligência artificial”. Foi um ano em que atingimos um novo apogeu do populismo, da descrença em instituições e na ciência, do abismo em que se tornaram as trincheiras cavadas entre todo e qualquer assunto, cuja opinião se tornou forçosamente binária e com cláusula obrigatória de repudiar veementemente o outro lado.

O regresso de Donald Trump ao poder, fantoche desprovido de humanidade, ao serviço de quem o bajular de forma mais exuberante, trouxe instabilidade aos mercados e à geopolítica. A perpetuação no poder de outras figuras que personificam a crueldade, como Vladimir Putin, Benjamin Netanyahu ou Xi Jinping, tornam-nos marionetas num jogo de poder que se adivinha cada vez mais sombrio e sangrento, com a Europa invariavelmente ineficaz e lenta na sua reação.

Poderia argumentar sobre os inúmeros motivos que nos trouxeram até aqui, mas quero focar-me apenas num conceito que considero estar na génese de muito disto: informação. Mais concretamente, a forma como todos falhamos coletivamente ao tentar combater a avalanche de desinformação, que usa a ignorância como combustível para nos manter em conflito uns com os outros, reduzindo a cinzas a esperança de um mundo menos imundo.

É urgente reverter este processo de estupidificação em massa. O papel das escolas e dos meios de comunicação nunca foi tão desesperadamente necessário para educar a população, ganhar defesas contra falácias lógicas e recuperar a capacidade de atenção prolongada. Não podemos sucumbir a este fast food mental de títulos enganadores e revoltantes, ou ficaremos escravos da mentira. Não podemos renunciar ao conhecimento científico, ou estaremos condenados à anarquia intelectual, onde falsos profetas prometem curas milagrosas e soluções aos soluços que nada solucionam.

O meu maior desejo para 2026 é recuperarmos o poder do saber. Do saber ler. Do saber estar. Do saber que há quem saiba mais do que nós. Do saber conviver com a diferença de opinião. Do saber distinguir entre verdade e ficção. Do saber pausar, pensar e refletir. Do saber que sustenta toda a humanidade, de forma a tornar mais leves os medos que agora nos pesam no peito.