É opinião comum: esta é uma notícia que já vem com várias décadas de atraso. Está finalmente concluído o abastecimento de água no concelho de Porto de Mós e, neste momento, já «100% dos lugares têm acesso à água da rede pública». A garantia foi dada pelo presidente da Câmara, Jorge Vala, na cerimónia que serviu para assinalar a conclusão das obras de abastecimento de água à freguesia de São Bento. O momento simbólico aconteceu precisamente no Dia Mundial da Água, 22 de março, uma data que seguramente não será esquecida, pois marca o dia em que a água da rede pública passou a estar acessível a todas as casas do concelho. «São Bento é agora uma freguesia idêntica a tantas outras deste país, finalmente é uma freguesia do século XXI», sublinhou o autarca.

Na cerimónia que ocorreu na Pia Carneira, uma das localidades que ainda não tinha acesso à rede, Jorge Vala mostrou-se feliz e orgulhoso com a concretização do compromisso assumido há quatro anos, mas disse ser «inqualificável» o facto de estarmos em pleno século XXI e só agora o concelho estar «totalmente servido por abastecimento de água ao domicílio». «Este foi um compromisso nosso e levámo-lo por diante, embora com muita dificuldade, porque é difícil encontrar empreiteiros para fazer obras neste território, o que leva a que se torne num investimento brutal», reconheceu.

O projeto contou com um investimento global de «cerca de um milhão de euros», que inclui a rede de abastecimento de água e as repavimentações, dos quais 229 mil foram aplicados nesta última fase, a que se somam mais 100 mil euros para «pontas que ainda faltam» mas que, adianta, já estão adjudicadas. «O compromisso que temos que assumir é com os lugares, porque quando falamos de uma casa aqui e outra acolá, falamos de planeamento. São opções. Por exemplo, uma pessoa quando decidiu fazer uma casa lá em cima num monte já sabia que não ia ter água», justificou.

A última fase contemplou Casal de Santo António, Covas, Paiã e Pia Carneira. Estes eram os quatro lugares que faltavam, os únicos do concelho que até há bem pouco tempo ainda não tinham acesso a uma rede de abastecimento de água mas que agora com a conclusão da segunda fase – que abrangeu «cerca de 80 ramais» – puderam finalmente ver a sua situação resolvida.

Na cerimónia marcaram presença vários autarcas, entre os quais, o presidente da Junta de São Bento, Luís Ferraria, que salientou o facto de a água ser «um bem essencial» para a freguesia e apelou aos sambentonenses para que abram os contadores. «Uma obra desta envergadura merece ser compensada», defendeu. Esse apelo foi, aliás, reiterado pelo presidente da Câmara que, apesar de reconhecer que na serra ainda existe muito «a cultura da cisterna», lembrou ser «obrigatório» por lei que as pessoas liguem os seus domicílios ao abastecimento de água potável. Por outro lado, o autarca considera que a experiência que tiveram na primeira fase – que incluiu os lugares de Espinheiro, Covão do Frade e Moleana – foi «bem sucedida» e por isso, acredita, esse poderá ser um «bom indicador» de que também desta vez a população irá responder positivamente.

Foto | Jéssica Silva