As queixas dos agricultores da região já se arrastam há vários meses e até anos e voltaram agora a ser sentidas. No dia 16 de outubro, a União de Agricultores do Distrito de Leiria (UADL) marcou presença numa manifestação, em Lisboa, sobretudo para reivindicar mais apoios, que, considera também a Confederação Nacional de Agricultores, não estão incluídos no Orçamento do Estado para 2021.

Tanto numa carta dirigida ao Secretário de Estado da Agricultura e Desenvolvimento Rural como noutra, posteriormente, dirigida à Ministra da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, às quais O Portomosense teve acesso, a UADL começa por falar «do grave problema dos javalis, veados, saca rabos, etc., que estão a criar problemas insustentáveis aos agricultores, até à destruição das culturas e muros». A associação lembra ainda que «os agricultores são forçados a abandonar a produção e têm de ser os caçadores autorizados a abater uma parte muito considerável dos animais selvagens».

Os agricultores defendem ainda que é preciso «clarificar» o «Estatuto da Agricultura Familiar»: «Os pequenos agricultores não devem ser obrigados a coletar-se nas Finanças para poderem beneficiar deste estatuto, a fim de poderem candidatar-se a possíveis apoios». A UADL pede que se facilite a abertura dos mercados locais para que os «agricultores possam comercializar os seus produtos». A comercialização dos produtos agrícolas, segundo a União de Agricultores, tem sido dificultada «pelos preços demasiado baixos». A associação quer ainda que seja «respeitada e cumprida a Lei dos Baldios». «Acontece que há várias entidades, entre Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais, que negoceiam os terrenos baldios com outras entidades contra esta lei», afirma a UADL, dizendo ainda que «as leis são para serem cumpridas».

A União, salienta que «o Ministério da Agricultura está a ser esvaziado de quadros para puderem dar o respetivo apoio aos agricultores». A associação de agricultores de Leiria «reclama o direito a ser ouvida no que toca às decisões governamentais na Agricultura», quer pelo Ministério da Agricultura, quer pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

A terminar, os agricultores frisam que «os proprietários são obrigados a fazer a limpeza das suas parcelas, quando o Estado não limpa as suas». «Na zona das Serras de Aire e Candeeiros, os animais pastoreiam nas parcelas dos Produtores, em zonas desfavorecidas e necessitamos de uma marca de qualidade da carne e outros produtos tais como o queijo e o azeite, precisamos de apoio do Ministério da Agricultura», pede ainda a UADL. A associação reivindica o Regime da pequena agricultura deveria passar dos atuais 850 euros para os 1250.