O Movimento AJSIM, liderado por Albino Januário e constituído há cerca de quatro anos, não vai concorrer a nenhum órgão nas próximas eleições autárquicas. O conselho coordenador do movimento independente, reunido no passado dia 29 de abril, tomou esta decisão «por unanimidade», depois de não ter surgido «uma candidatura suficientemente mobilizadora do Movimento AJSIM à Câmara Municipal, à Assembleia Municipal e às Assembleias de Freguesia do concelho de Porto de Mós», refere em comunicado enviado à nossa redação. A isto juntou-se o facto de, segundo o movimento, haver atualmente «um quadro legislativo que tem por objetivo colocar ainda mais obstáculos às candidaturas dos Movimentos Independentes, nomeadamente às Câmaras e às Assembleias Municipais».

Além de decidir não concorrer, o conselho coordenador aprovou ainda «não apoiar, enquanto Movimento AJSIM, qualquer partido ou coligação partidária concorrente às referidas eleições»; «deixar à livre iniciativa dos seus membros, a possibilidade de integrarem e/ou apoiarem, de forma individual e independente alguma das forças políticas concorrentes»; «continuar atento ao desenrolar da vida política local, como movimento de cidadãos independentes disponíveis para analisar e emitir opinião sobre o evoluir da governação no concelho»; e «exortar ao surgimento de movimentos independentes no concelho, como forma de participar ativamente na vida política local». Tudo isto «por entender não dever demitir-se da sua responsabilidade social» e «dos compromissos que assumiu para com os portomosenses», nas últimas eleições.

Avaliação “negativa” para atual executivo

No mesmo comunicado, o AJSIM analisou a governação do atual executivo, justificando que «não pode a singularidade da situação atual de pandemia, deixar iludir os mais incautos quanto àquilo que foram (e ainda são) os quase quatro anos de mandato do executivo PSD». «A qualidade de gestão oferecida ao concelho pelo PSD correspondeu às piores expectativas que o Movimento AJSIM tinha sobre a mesma» e «a apreciação global que fazemos do desempenho do atual executivo municipal só pode ser negativa», refere o conselho coordenador.

Aquele órgão considera que «o atual executivo “governou” com um propósito quase único de, através de ações de propaganda e alienação de alguns setores da sociedade do concelho, assegurar a sua reeleição» e diz mesmo que «grande parte das suas ações visaram um fim próprio e não uma melhoria da vida dos cidadãos». «Estrategicamente, deixou em “banho-maria” investimentos e programas estruturantes e fundamentais para o desenvolvimento do concelho, como a ALE, o saneamento básico, a revitalização urbana e industrial de Mira de Aire, a fixação de pessoas no concelho ou a central, sendo que herdou a quase totalidade destes investimentos já viabilizados e alguns já em desenvolvimento real», acrescenta, rematando que «o interesse público exige que a utilização dos recursos municipais seja feita de forma criteriosa, eficiente e responsável, o que não sucedeu».