Ana Silva, aluna do Instituto Educativo do Juncal (IEJ), foi a vencedora em Portugal, do Juvenes Tranlatores, um concurso de tradução promovido pela Direção-Geral da Tradução da Comissão Europeia e ao qual concorreram, este ano, 97 alunos de 21 escolas.

A jovem de 17 anos, natural de Valado dos Frades (Nazaré), e a frequentar o 12.º ano, venceu com uma tradução de inglês para português e não é caso único na escola, facto que é, aliás, salientado na informação que a Comissão Europeia fez chegar às redações. O primeiro aluno do IEJ a vencer este concurso foi João Marques, em 2010, e o feito repetir-se-ia em 2017 pela mão de Beatriz Simões, tendo nesse ano sido ainda atribuída uma menção honrosa à aluna Maria Grazina com uma tradução de espanhol para português.

De acordo com a mesma nota de imprensa, a nível europeu participaram 751 escolas, com um total de 3252 alunos. Os melhores deste grupo (um por cada estado-membro) viajarão este ano a Bruxelas para receber o respetivo prémio e encontrar-se com os tradutores profissionais da Comissão Europeia.

A edição deste ano do concurso Juvenes Translatores realizou-se a 22 de novembro de 2018 e decorreu simultaneamente em todas as escolas participantes. Os alunos a concurso utilizaram 154 das 552 combinações linguísticas entre cada uma das 24 línguas oficiais da UE. Algumas das escolhas mais interessantes foram de português para neerlandês e de húngaro para finlandês.
O concurso está aberto a alunos do ensino secundário com 17 anos de idade e realiza-se ao mesmo tempo em todas as escolas selecionadas na União Europeia.

“O sucesso dá muito trabalho”

À conversa com o nosso jornal, Ana Silva diz que «pode parecer um cliché mas na realidade não estava mesmo nada à espera de vencer» e por isso, reconhece, foi com grande surpresa e outra tanta dose de incontida emoção que recebeu a notícia de que vencera o concurso.

«Eu até nem fazia muita questão em participar mas este ano já tinha recebido uma menção honrosa num concurso da Universidade Católica Portuguesa, com uma tradução de alemão para português, e isso de certa forma motivou-me a participar noutros. Além disso, a minha professora fez muita que questão que eu concorresse e decidi aceitar o desafio e ainda bem», acrescenta, visivelmente satisfeita com esta vitória e com toda a experiência vivida.

Em relação à “mecânica” do concurso, Ana Silva explica que é bastante simples, o que não significa que depois a tarefa seja fácil: «Temos duas horas para traduzir um texto de inglês para português e podemos fazer uso do dicionário mas a tradução além de fiel deve soar o mais natural possível na língua portuguesa e essa é a grande dificuldade».

«Achei que era um texto relativamente acessível e fácil de compreender mas com expressões que era muito complicado fazer com que soassem naturais em português. Perdi aí algum tempo mas julgo que foram essas que fizeram a diferença entre o ganhar e o perder porque a originalidade com que fazemos a tradução é muito valorizada», explica.

Ana reconhece que tem «algum jeito para línguas estrangeiras», mas sublinha que isso só não chega, daí que atribua a razão do seu sucesso, muito mais ao trabalho que realiza e onde tenta ser o mais perfeita possível, que a uma “queda natural” para as línguas. O facto de «ver filmes e séries em inglês também ajuda», mas se a discussão se centrar naquilo que a levou a vencer este concurso, aí não lhe restam dúvidas de que «90% da vitória» a deve à professora que a acompanha desde o 10.º ano. «Incentivou-me a participar e quando lhe disse que não ia, ficou chateada e deu-me um verdadeiro sermão de incentivo. Até ao dia da prova apoiou-me imenso, inclusive, ensinando-me truques para tornar a tradução o mais natural possível”, conta com gratidão.
Embora ainda não tenha uma decisão definitiva sobre os caminhos que quer trilhar num futuro próximo, a jovem aluna do IEJ diz não ter intenções de fazer da tradução, profissão. Imagina-se, antes a tirar um curso de Direito e, quem sabe, um dia, ingressar na magistratura, o que não significa que a sua paixão por línguas estrangeiras fique, necessariamente, pelo caminho. «Gostava de um dia poder conciliar aquela que for a minha atividade profissional com algo relacionado com línguas», conclui.

Quem também se mostra bastante satisfeita com esta vitória é a diretora pedagógica do IEJ,Tânia Galeão. Afinal, não é para menos: Além do resultado alcançado por Ana Silva, a escola consegue a sua terceira vitória neste concurso instituído em 2007, o que a deixa duplamente satisfeita, atribuindo em primeiro lugar o mérito aos alunos vencedores e à professora Liliana Gomes que os incentiva imenso a participar e os prepara para este desafio e, em segundo lugar, mas não menos importante ao método escolhido pelo IEJ para o ensino das línguas estrangeiras.

«Desde o 5.º ao 12.º ano, as aulas são dadas de forma muito rigorosa e na íntegra na língua estrangeira, o que faz com os alunos desenvolvam muito a oralidade e se tornem mais desinibidos, potenciandoo a aprendizagem», explica, adiantando que, por outro lado, faz parte da cultura do IEJ participar nestes projetos que têm a ver com o desenvolvimento de uma língua e os alunos ao verem a escola a ser premiada «acabam por alimentar o bichinho pelas línguas» e ter a vontade de também concorrer.

Tânia Galeão sublinha que «não há uma seleção propriamente dita de quem vai participar. Não escolhemos os melhores e deixamos de parte aqueles que não são tão bons. A professora pergunta sempre quem está interessado em participar e este ano houve cinco alunas que demonstraram esse interesse». «A Ana Silva não participou tanto na expectativa de ganhar mas porque a professora as motiva imenso e elas gostam de colaborar, por isso quando soube que tinha sido a vencedora ficou muito emocionada, fartou-se de chorar”, conta.

isidro bento | texto
iolanda nunes