Há quase 7 anos que Irene Pereira, de 52 anos, se divide entre o Dubai, Portugal e os Estados Unidos da América. Natural da Mendiga, é professora de Português e Francês. Aos 45 anos foi obrigada a tomar uma das decisões mais difíceis da sua vida: emigrar para Londres. «Quando abandonei o país, não foi por curiosidade de viver no estrangeiro mas sim por necessidades económicas», recorda. Foi lá que esteve durante alguns meses, mas dessa experiência não guarda as melhores memórias: «Detestei. O clima, as escolas, tudo».

Insatisfeita com a vida londrina, Irene Pereira decidiu concorrer para vários pontos do mundo, acabou por escolher o Dubai, onde está até aos dias de hoje a lecionar Francês. Desde 2013 que costuma vir a Portugal duas vezes por ano: na Páscoa e no Verão, com o objetivo de «ver a família». No entanto, por força da propagação da pandemia da COVID-19, desta vez teve que antecipar a vinda. «As escolas foram encerradas. Primeiro ponderámos não ir, mas depois fomos. Quando saímos do Dubai só havia dois ou três casos, neste momento são mais de 200», afirma.

A portomosense e o marido, americano, pretendiam ficar em território nacional de 9 a 20 de março, contudo, tiveram que antecipar o regresso aos Emirados Árabes Unidos para dia 16, por receio que as fronteiras fossem encerradas. «Quando estávamos em Portugal os casos começaram a crescer de uma forma assustadora», refere. Irene Pereira garante que se fosse hoje «nem sequer viajava» e justifica que apenas o fez porque, na altura, as «coisas estavam muito soft».

De volta ao Dubai, o casal começou a cumprir quarentena, de duas semanas, uma medida obrigatória para todos aqueles que tenham viajado. Hoje, essa obrigação já é extensível a toda a gente. Em oposição a Portugal, a portomosense adianta que, quando chegou ao Dubai, «andava tudo muito descontraído nas ruas». Uma realidade que rapidamente se inverteu e que levou a um aumento das medidas de prevenção: «Os aeroportos estão fechados, a Emirates deixou de viajar e fecharam os centros comerciais, que é o desporto favorito de muita gente aqui», afirma. À semelhança do que já acontece um pouco por todo o mundo, também a polícia anda nas ruas com megafones «a mandar as pessoas para casa».

Desde o dia 22 que Irene Pereira está a dar aulas online, uma experiência que se tem revelado mais árdua do que anteriormente. «Tem sido mais trabalhoso e até mais absorvente do que dar aulas ao vivo e a cores porque é uma realidade nova em que nos estamos todos a adaptar», justifica. A professora assegura que os alunos têm estado a gostar, algo que se demonstra na sua assiduidade e participação, no entanto, ressalva: «Por enquanto está a correr bem, mas isto é só o princípio, acabámos de começar».