As últimas análises feitas pela associação ambientalista Oikos à qualidade da água da bacia hidrográfica dos rios Lis e Lena revelam que os níveis de contaminação subiram em oito dos 15 pontos de monitorização, valores que superaram máximos anteriores já bastante superiores aos de referência. «Apenas as nascentes do Lis e do Lena apresentam valores aceitáveis relativamente ao parâmetro de e-coli (referente a bactérias intestinais)», explica a O Portomosense o presidente da Oikos, Mário Oliveira. Tal significa que, a partir daquele ponto, seja no rio Lis ou no Lena, «aparecem sempre valores que estão fora daquilo que seria o desejável», esclarece.

Relativamente ao rio Lena, que nasce no concelho de Porto de Mós, o presidente da associação ambientalista alerta que os resultados das análises deste ano revelam que «apresenta dois pontos particularmente maus» em termos de valores. Na Ponte Nova, segundo o relatório citado por Mário Oliveira, surgem valores «na ordem dos 4 628» quando se deveria ter valores «no máximo a rondarem os 100». Se se considerar os valores de 2015 ou 2017, «houve um decréscimo, mas se tivermos em consideração os valores de 2019 tivemos um aumento para o triplo», sublinha.

O segundo ponto problemático evidenciado pelas análises deste ano encontra-se na Ponte das Mestras, onde «aparece um resultado absolutamente disparatado, no sentido de desproporcionado», diz o responsável, dado que «bateu o recorde de todos os pontos que foram analisados este ano». Segundo o relatório, neste ponto do rio existe um valor na ordem dos 74 890. «Ora, para valores máximos admitidos de 100, temos cerca de 75 mil, há aqui qualquer coisa de muito grave nesta região», alerta. Valores desta ordem de grandeza nunca tinham sido alcançados, sendo que os mais elevados foram registados em 2017, quando apareceu um valor de 48 mil. «Passamos de 48 mil para 74 mil. Este ano, infelizmente, apanhámos a situação num pico particularmente elevado», lamenta Mário Oliveira.

À semelhança do rio Lena, também o Lis apresenta pontos críticos. Houve um agravamento da contaminação «dentro da cidade e na confluência do Lis e do Lena», junto à Ponte das Mestras, antes e depois da junção dos dois. Esses três pontos registam, aliás, «números muito superiores aos da Ribeira dos Milagres, já eles acima dos limites legais», frisa.

O dirigente da Oikos indica que, se por um lado, em comparação com os valores que se alcançavam «em quase todo o rio há 20 e tal anos, temos valores que estão bastante melhores», por outro, Mário Oliveira diz que «é de lamentar que tenhamos valores que ultrapassam milhares de vezes o que deveria ser». «Estamos bastante melhores do que estivemos e estamos muito longe daquilo que deveríamos estar», conclui, acrescentando que «é importante que a comunidade, todos nós, pense com muito cuidado o que quer para a nossa saúde, para os nossos recursos hídricos».

Isidro Bento | revisão