Porto de Mós em duas Guerras (Século XX): África-Europa 1914-1919 | África 1961-1975 é o nome do livro da autoria do portomosense José Conteiro, militar reformado, que foi apresentado na passada segunda-feira, dia 25 de abril, no Cineteatro de Porto de Mós. Uma obra de investigação histórica que, tal como o próprio nome sugere, aborda a participação de Porto de Mós em dois momentos diferentes da história. Um facto que, acredita o autor, poderá torná-la numa publicação única no país: «Há centenas de livros a falar da Primeira Guerra Mundial e da Guerra Colonial mas a falar dos combatentes portomosenses o meu é o único».

Ao longo de 456 páginas, o sargento ajudante José Conteiro dá a conhecer os nomes e os rostos dos portomosenses que combateram nas duas guerras, muitos deles dando a própria vida. O autor oferece ainda alguma informação sobre a vida destes soldados, tantas vezes desconhecidos e tantas vezes protagonistas em momentos decisivos da história. Segundo José Conteiro, participaram na Grande Guerra «235 portomosenses» (mais 21 do que os registados inicialmente), quase todos do Regimento de Infantaria n.º 7. Aí morreram cerca de sete mil homens, dos quais 15 eram de Porto de Mós. Já para a Guerra Colonial foram mobilizados quase um milhão de homens, «dos quais cerca de 1 100 eram portomosenses, tendo vindo a falecer 19».

Durante a apresentação, José Conteiro fez-se acompanhar pelo coronel médico Mário Pragosa, a pessoa que redigiu o prefácio do livro e que enalteceu o extenso trabalho desenvolvido pelo autor: «Sei que não foi fácil toda a investigação que fez, foram muitas horas passadas em arquivos, a auscultar populações, mas a sua obra aqui está e fica como um legado que constitui uma justa homenagem a estes combatentes. O senhor é digno da nossa maior estima e gratidão». Mário Pragosa fez ainda questão de realçar a pertinência da obra. «O tema deste livro não podia estar mais presente. Vem reavivar a história das gentes deste concelho, a quem devemos estar gratos e a quem devemos prestar a maior homenagem», sublinhou.

Embora reconheça que as gerações atuais, por não terem memória dos factos relatados no livro, possam pensar que estas são «coisas do passado», Mário Pragosa alerta para a possibilidade de um dia ainda se poder vir a assistir à repetição de alguns desses episódios: «Estudem bem a História, porque ao longo dos séculos ela repetiu-se sempre. Não sabemos para o que estamos guardados. Só peço a Deus que daqui a 50 anos não haja uma nova edição deste livro». Um pensamento que é, aliás, partilhado por José Conteiro, que rejeita a ideia de sermos um país pacífico. «Veja-se os acontecimentos que ocorreram em 75 anos. Por isso, pode acontecer por aí qualquer coisa que nos possa surpreender. Oxalá que não», afirma.

«Um legado importantíssimo para as gerações futuras», é assim que o presidente do Município, Jorge Vala, descreve a obra, editada pela Câmara Municipal de Porto de Mós, que será distribuída por todas as freguesias e bibliotecas de modo a ficar acessível a todos os cidadãos do concelho.

Foto | Jéssica Silva